Essa é daquelas perguntas que eu escuto bastante na farmácia e talvez você também já tenha passado por isso. Faz o exame, a vitamina D aparece baixa e a primeira reação é: “Mas como assim? Eu pego sol!”
Pois é. A vitamina D ficou conhecida como a “vitamina do sol”, mas a história não termina aí.
Nosso organismo precisa produzir, absorver, transportar e metabolizar essa vitamina. E algumas situações podem fazer com que, mesmo com exposição solar ou suplementação, os níveis não respondam exatamente como esperamos.
Uma delas é o intestino. A vitamina D é lipossolúvel, ou seja, sua absorção está ligada à absorção de gorduras. Pessoas com condições que causam má absorção intestinal, como doença celíaca, doença de Crohn, insuficiência pancreática ou após algumas cirurgias bariátricas, por exemplo, podem ter mais dificuldade para absorvê la.
Outro ponto que muita gente não sabe é a relação com a obesidade. Em pessoas com maior quantidade de tecido adiposo, os níveis circulantes de vitamina D tendem a ser menores e a resposta à mesma dose de suplementação pode ser diferente. Isso não significa simplesmente tomar mais por conta própria, mas entender que a dose pode precisar ser individualizada.
E os medicamentos que você usa? Alguns anticonvulsivantes, corticoides e outros medicamentos podem interferir na absorção ou acelerar o metabolismo da vitamina D. Por isso, quando alguém me diz “Déia, eu tomo vitamina D e ela não sobe”, uma das primeiras coisas que eu gostaria de saber é: “o que mais você está usando?”
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Existem ainda diferenças individuais, inclusive genéticas, além de alterações no fígado e nos rins, órgãos importantes para o metabolismo e a ativação da vitamina D. Ou seja, às vezes olhar somente para o número do exame conta apenas uma parte da história.
E é justamente aqui que a farmácia de manipulação pode ser uma grande aliada. Podemos trabalhar com doses e formas farmacêuticas individualizadas e, quando houver indicação, avaliar nutrientes que participam da saúde óssea e do metabolismo, como magnésio e vitamina K2. Mas eles não precisam ser acrescentados automaticamente para todo mundo. A necessidade depende da alimentação, dos exames, dos medicamentos em uso e da condição de cada pessoa. Sempre avalie com seu médico ou nutricionista a necessidade de suplementação de acordo com seus exames.
Então, da próxima vez que a vitamina D vier baixa, antes de pensar apenas “preciso aumentar a dose”, vale fazer outra pergunta: “por que ela está baixa para mim?”
Porque suplementar bem não é simplesmente perseguir um número no exame. É conhecer a pessoa que existe por trás daquele resultado, sua rotina, alimentação, medicamentos e necessidades.
E é esse tipo de conversa que eu gosto de ter com vocês: sem complicação, mas entendendo que, quando o assunto é saúde, cada organismo conta uma história diferente.
Publicado na edição impressa nº 2178, de 01/10/2026.










