Golpe com cnpj

Criminosos usam CNPJ de paróquia de Boqueirão do Leão para aplicar golpes em lojas

Pelo menos seis empresas de diferentes cidades do RS foram lesadas ou procuradas por falsos representantes da instituição

Silas Santos3 min de leitura
Caminhonete com carga de colchões apreendida durante investigação de fraudes cometidas em nome de paróquia gaúcha.
Caminhonete com carga de colchões apreendida durante investigação de fraudes cometidas em nome de paróquia gaúcha.Foto: Rede Social da Paróquia)

Arvorezinha A Paróquia São João Batista, de Boqueirão do Leão, está sendo vítima de um golpe envolvendo o uso indevido de seu Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para a realização de compras em estabelecimentos comerciais de diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Até a manhã desta sexta-feira (16), pelo menos seis empresas haviam entrado em contato com a instituição religiosa após negociações realizadas por criminosos que se passam por representantes da paróquia.

Conforme o vigário paroquial, frei Franklin Freitas, os primeiros casos chegaram ao conhecimento da instituição há uma semana, no dia 9. Desde então, novas situações foram identificadas, envolvendo estabelecimentos de municípios como Arvorezinha, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Vacaria.

Os golpistas utilizam o cartão do CNPJ da paróquia, vinculada à Mitra da Diocese de Santa Cruz do Sul, para dar aparência de legitimidade às negociações. A maioria dos contatos ocorre pelo aplicativo WhatsApp, embora também tenham sido relatadas tentativas de compras presenciais.

Valores elevados

Segundo o frei Franklin, os valores das negociações são elevados, com registros de compras de R$ 8 mil, R$ 12 mil e R$ 15 mil. O caso mais recente foi identificado na manhã desta sexta-feira (16), quando a paróquia tomou conhecimento de uma compra realizada em uma empresa de Vacaria, nos Campos de Cima da Serra. A negociação resultou na emissão de um boleto de aproximadamente R$ 13 mil.

Nesse episódio, conforme o religioso, os criminosos utilizaram os dados da instituição religiosa, mas solicitaram que os produtos fossem entregues em Caxias do Sul. A paróquia também informa ter recebido uma imagem da pessoa que teria realizado o recebimento de mercadorias em Caxias do Sul, informação que poderá auxiliar na apuração dos fatos.

Alerta a comerciantes

Diante da sequência de ocorrências, a instituição registrou um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil e passou a divulgar alertas para evitar que outros estabelecimentos sejam prejudicados. Em nota à comunidade, frei Franklin reforçou que a paróquia não reconhece as compras realizadas pelos golpistas e pediu atenção especial aos comerciantes que receberem solicitações de negociação em nome da instituição.

A orientação é que, antes de concluir qualquer venda, os lojistas entrem em contato diretamente com a secretaria paroquial para confirmar a autenticidade do pedido, especialmente quando envolver valores elevados ou entregas em endereços diferentes dos dados cadastrais. A Polícia Civil deve trabalhar no caso.

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