Agro

Mel de abelhas sem ferrão conquista selo federal e abre caminho para novos mercados

O Rio Grande do Sul alcançou um marco na produção de mel de abelhas nativas sem ferrão. Em 17 de junho de 2026, o município de Caraá, no Litoral Norte, realizou o primeiro envase de mel desse tipo inteiramente produzido e beneficiado no Estado com inspeção do Serviço de Inspeção Federal (SIF). A conquista permite a comercialização do produto em todo o território nacional e abre possibilidades de acesso ao mercado internacional.

O primeiro lote pertence ao meliponicultor Vinícius Monteiro Gomes, proprietário da Bella Mata Apiário e Meliponário. O produtor cria 15 espécies de abelhas nativas e mantém aproximadamente 350 colmeias em uma área com mais de 60 hectares de mata nativa. A produção anual ultrapassa 250 quilos de mel.

A autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) representa um avanço para a meliponicultura gaúcha, atividade dedicada à criação de abelhas sem ferrão. Com a inspeção federal, o mel pode ser comercializado em outros estados, ampliando as oportunidades de renda para os produtores.

O beneficiamento ocorre na estrutura da Associação de Apicultores e Meliponicultores de Caraá (Apimel Caraá), resultado do trabalho dos associados em parceria com a Emater/RS-Ascar e outras organizações.

Mais de 16 mil famílias envolvidas na atividade

Um levantamento da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), desenvolvido em parceria com a Emater/RS-Ascar e divulgado em 2024, identificou 16.209 famílias envolvidas com a criação de abelhas sem ferrão no Rio Grande do Sul.

O estudo mostrou que boa parte da produção é destinada ao consumo próprio e que muitos criadores ainda não conseguem transformar a atividade em fonte de renda. A dificuldade de acesso ao mercado está entre os principais obstáculos enfrentados pelo setor.

Além do potencial econômico, a meliponicultura desempenha papel importante na preservação ambiental. As abelhas nativas contribuem para a polinização de plantas, a conservação da biodiversidade e a manutenção dos ecossistemas.

Com a inspeção federal, a produção gaúcha passa a contar com uma referência para a regularização e a expansão comercial. A possibilidade de exportação, entretanto, depende do cumprimento das exigências sanitárias dos países compradores e, quando necessário, de habilitações específicas.

A conquista de Caraá representa um passo para valorizar o mel de abelhas nativas e fortalecer a meliponicultura como alternativa de renda para famílias rurais.

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