Agro

Tabaco ocupa só 20% da área, mas propriedades movimentam R$ 23,2 bilhões

As propriedades produtoras de tabaco movimentaram R$ 23,2 bilhões na safra 2025/2026, reforçando o peso econômico da fumicultura no Sul do Brasil. Os números também revelam uma característica cada vez mais presente no setor: embora o tabaco permaneça como principal fonte de receita, quase metade dos recursos obtidos nas propriedades já vem de outras culturas e da produção animal.

Dados divulgados pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) apontam que cerca de 136 mil produtores estiveram envolvidos com a cultura na última safra. O tabaco respondeu por 55,4% da renda total, o equivalente a mais de R$ 12,8 bilhões, mesmo ocupando apenas 20,3% da área das propriedades.

A relação entre a área utilizada e a geração de receita coloca o tabaco entre as atividades de maior retorno econômico por espaço ocupado nas pequenas propriedades rurais que integram essa cadeia produtiva.

Diversificação já responde por R$ 10,35 bilhões

Os demais 44,6% da renda, ou aproximadamente R$ 10,35 bilhões, foram gerados por atividades diferentes do tabaco.

Desse montante, R$ 5,56 bilhões vieram de outras culturas agrícolas, correspondendo a 24% da receita das propriedades. Outros R$ 4,78 bilhões, ou 20,6%, foram obtidos com a criação de animais e a produção de itens granjeiros.

O levantamento reforça que a fumicultura convive, nas mesmas propriedades, com produção de grãos, alimentos, pastagens e criação de animais. Além de ampliar as fontes de renda, a diversificação permite um melhor aproveitamento das áreas e das estruturas produtivas ao longo do ano.

Esse processo é estimulado há mais de quatro décadas. O trabalho começou em 1985, com incentivo ao plantio de milho e feijão após a colheita do tabaco. Posteriormente, foram incorporadas pastagens e outras atividades. Desde 2025, a iniciativa passou a ser denominada “Tabaco é Agro: Diversificação das Propriedades”.

Sul produz mais de 710 mil toneladas

O peso econômico do setor se mantém mesmo em uma safra marcada por leve retração na quantidade produzida.

Segundo levantamento final da Afubra, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná produziram juntos 710.229 toneladas de tabaco na safra 2025/2026, queda de 1,3% em relação às 719.891 toneladas registradas no ciclo anterior.

A área plantada também apresentou pequena redução, passando de 309.982 para 308.932 hectares.

Do total produzido, 639.471 toneladas foram da variedade Virgínia, responsável por cerca de 90% da produção do Sul. O Burley somou 60.089 toneladas, enquanto o tabaco Comum alcançou 10.669 toneladas.

O Rio Grande do Sul respondeu por 286.603 toneladas, o equivalente a pouco mais de 40% de todo o tabaco produzido nos três estados da Região Sul.

Brasil mantém força no mercado internacional

A importância da cadeia também se reflete na balança comercial brasileira. Em 2025, o país atingiu o maior valor da série histórica das exportações de tabaco, com US$ 3,389 bilhões em vendas externas.

Foram exportadas 561.052 toneladas para 121 países, volume 23,23% superior ao registrado em 2024. A receita avançou 13,85% no mesmo período. O Brasil mantém a posição de maior exportador mundial de tabaco.

Os números ajudam a dimensionar a relevância de uma cadeia especialmente importante para a agricultura familiar no Sul do país. Conforme o SindiTabaco, 96% do tabaco brasileiro é produzido na Região Sul, com participação de centenas de municípios e milhares de famílias ligadas direta ou indiretamente à atividade.

Os números da safra 2025/2026

  • R$ 23,2 bilhões — renda total das propriedades produtoras de tabaco;

  • 55,4% — participação do tabaco na renda;

  • 20,3% — parcela da área das propriedades ocupada pela cultura;

  • R$ 10,35 bilhões — receita obtida com a diversificação;

  • R$ 5,56 bilhões — renda gerada por outras culturas agrícolas;

  • R$ 4,78 bilhões — renda proveniente da criação animal e de produtos granjeiros;

  • 136 mil — produtores de tabaco;

  • 710.229 toneladas — produção do Sul na safra 2025/2026;

  • 286.603 toneladas — produção do Rio Grande do Sul.

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