Cali Schaffer

A história se repete

Redação3 min de leitura

Para quem ainda consegue tomar conhecimento das notícias do que ocorre no Brasil nos últimos tempos sem sentir repugnância, deve lembrar do que aconteceu no dia 8 de janeiro deste ano em Brasília, com a prisão de mais de mil pessoas, e nas condenações à longas penas (17 anos de reclusão), decorrentes de um estranho processo, no qual não é possibilitada uma defesa técnica completa, plena e absoluta, como reclama fortemente a OAB. Processo aberto e em andamento num tribunal que, por ser especialíssimo, não admite recurso à uma instância superior, porque é o primeiro, o último, o único. Todos os presos são tratados de forma igual como se fossem terroristas, golpistas, fascistas e outros adjetivos similares, independentemente de serem eventualmente culpados ou não, E as condenações tornam-se, pois, definitivas e irrecorríveis.
Para quem conhece um pouco de História, no decorrer do tempo coisas parecidas já aconteceram, o que comprova que a humanidade não aprendeu nada sobre o que possa ser considerado justiça, e como ela pode ser envolvida indevidamente pela política.
Lá pelos anos de 1936 a 38, na Rússia sob Stalin, julgamentos públicos eram realizados também em massa, com cobertura da imprensa, comentários de “especialistas”, envolvimento de partidos políticos, de movimentos sociais, tudo na busca de culpados e de pretensos financiadores. Era um espetáculo que tinha o objetivo de intimidar e eliminar inimigos políticos, e criar a ideia do que tudo estava sendo feito de forma correta e boa, em defesa da sociedade. Lá, os acusados ficavam presos por muito tempo sem julgamento. Eram considerados e tidos como perigosos. Eram torturados, se não fisicamente, psicologicamente. Os registros documentais descrevem situações em que os detidos recebiam alimentos estragados, eram presos a correntes, ameaçados permanentemente. De tanto sofrer, separados de seus familiares, acabavam delatando companheiros, que mesmo sem nunca terem cometido nenhum crime e sem qualquer prova formal, acabavam também eles sendo processados e presos. E assim, o número de acusados crescia, tudo em busca de uma “limpeza geral”, com base apenas em narrativas.
A verdade não interessava. Nem a ideia do que pudesse ser considerado como se fosse justiça Todos eram considerados membros de organizações criminosas, traidores da pátria. E a coisa atingiu tal ponto que Stalin, o todo-poderoso líder chegou a dizer, publicamente, que: “a palavra de um criminoso acusado não vale nada”. Diante dessa afirmação feita publicamente pelo ditador, o “acusado” já era considerado previamente um “criminoso”, se criminoso, “culpado”, e se criminoso e culpado, já estava antecipadamente “condenado”. Era uma ordem.
Hoje, no Brasil, a denominação dos réus ficou parecida. Todos os acusados foram considerados terroristas, golpistas, fascistas, e/ou adjetivos similares.
O objetivo me parece claro e evidente. A total eliminação dos opositores. A coisa não está boa, não anda na direção de um bom caminho. E pelo andar da carroça, vai piorar. É urgente que aqueles que podem corrigir o rumo o façam imediatamente, porque caso não reajam, nosso futuro e o dos nossos filhos e netos poderá ser tenebroso. Quando não conhecermos a História, ela sempre se repete.

“A coisa não está boa, não anda na direção de um bom caminho, e pelo andar da carruagem, vai piorar”.
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