SETEMBRO AMARELO

Acolhimento e escuta ativa são ferramentas essenciais para identificar e encaminhar pessoas em sofrimento, fortalecendo redes de apoio em diversos ambientes.

Atualizado em 12/10/2026 às 20h063 min de leitura
Mulher em sofrimento emocional recebe acolhimento e escuta atenta de outra pessoa em ambiente de apoio e compreensão.
Mulher em sofrimento emocional recebe acolhimento e escuta atenta de outra pessoa em ambiente de apoio e compreensão.

Falar sobre prevenção ao suicídio exige responsabilidade. Não existem explicações simples para um fenômeno complexo e multifatorial, mas existe algo que nós podemos fazer melhor: perceber e acolher a dor do outro, e encaminhar quando necessário.

Convido cada um a percorrer seus espaços de convivência, e avaliar se identificam rede de apoio. Sabemos realmente perceber quem está ao nosso lado? Geralmente e automaticamente perguntamos “tudo bem?” quase como um cumprimento, e muitas vezes nem esperamos pela resposta, e não é raro convivermos com alguém sem realmente saber como essa pessoa está.

Tenho aprendido, cada vez que facilito um círculo de construção de paz (CCP), que existe uma diferença enorme entre ouvir alguém e oferecer-lhe escuta.

Os CCP tem uma potência na construção de vínculos e de espaços seguros. Quando sentamos em círculo, ninguém ocupa o lugar mais importante. Podemos olhar uns para os outros e há tempo para falar e principalmente, há compromisso com a escuta, e assim, algo ancestral e aparentemente simples começa a acontecer: as pessoas passam a se enxergar e a pertencer.

Nas equipes de trabalho, os círculos podem favorecer comunicação, confiança e compreensão das necessidades existentes naquele grupo. Podem abrir espaço para conversas que dificilmente aconteceriam entre uma tarefa e outra.

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Nas escolas, podem ajudar crianças, adolescentes, professores e comunidade escolar a construir relações baseadas no respeito, na corresponsabilidade e no pertencimento, e não é novidade que pessoas precisam sentir que pertencem a um lugar, a um grupo.

Isso não significa que uma boa conversa resolverá todo sofrimento. Há dores que precisam de acompanhamento profissional e situações que exigem intervenção imediata. Reconhecer nossos limites também é cuidado.

Quando uma pessoa encontra um ambiente seguro, aquilo que estava escondido encontra palavras, e os CCP nos permitem olhar para as histórias de quem convivemos, e isso muda tudo.

Setembro Amarelo nos lembra que precisamos estar suficientemente presentes para perceber quando alguém precisa de ajuda. Nem sempre veremos a dor que alguém carrega, mas podemos não ser indiferentes a vidas ao nosso redor. Que o amarelo deste setembro ilumine corações, mentes e relações.

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