Economia

Nestes 40 anos, Grafite construiu mais de 300 apartamentos

A Grafite nasceu em 1986 pelos engenheiros Juarez Mottin e Vitor Hugo Bertozzi. O primeiro formou-se em 1978 e trabalhou durante alguns anos em Porto Alegre, e o segundo um poucoi mais tarde, em 1982. Foi em um encontro no centro da cidade que surgiu a sociedade. “Vamos trabalhar juntos?”, recordou Juarez sobre o convite feito a Vitor que de pronto aceitou. A parceria começou em um período difícil para a construção civil, marcado por juros elevados e pouco acesso ao crédito imobiliário. Uma das alternativas encontradas foi trabalhar pelo sistema de condomínio, no qual os compradores adquiriam as unidades ainda durante a construção e contribuíam conforme o avanço das obras. Desde o início, segundo os sócios, a empresa manteve uma postura conservadora na gestão, evitando endividamentos. “Crescemos devagarinho”, resumiu Vitor.

Mais de 300 apartamentos em Encantado

Quatro décadas depois, os números ajudam a dimensionar a trajetória. Somente em Encantado, os engenheiros estimam que a Grafite tenha construído mais de 300 apartamentos, além de dezenas de casas, loteamentos e outros empreendimentos. Em determinados períodos, a empresa chegou a manter mais de 60 funcionários. A atuação também avançou para outras regiões do Rio Grande do Sul. Ao longo da história, a Grafite trabalhou em mais de 100 municípios e participou da execução de mais de mil obras públicas, com destaque para escolas, prédios públicos, estruturas ligadas ao sistema prisional e outros contratos realizados para órgãos governamentais.

Durante muitos anos, equipes de Encantado viajavam e permaneciam semanas em diferentes cidades para executar as obras. Esse período também consolidou relações duradouras dentro da empresa, com funcionários que permaneceram por décadas no quadro. “Nós criamos amigos. Sempre procuramos tratar as pessoas como pessoas, e não como números”, destacou Juarez.

Marca na paisagem de Encantado

Em Encantado, a presença da Grafite é especialmente visível em áreas que passaram por forte transformação urbana nas últimas décadas.

A região do Porto XV é um dos exemplos. Prédios, casas e loteamentos executados pela empresa ajudaram a modificar a configuração do bairro. Em um dos conjuntos implantados no local, são mais de uma centena de apartamentos.

A própria história da Grafite acompanhou a mudança no perfil imobiliário de Encantado. Quando os engenheiros começaram, a procura estava concentrada principalmente em casas individuais. Com o passar dos anos, os apartamentos ganharam espaço e a verticalização passou a modificar o cenário da cidade.

Enchentes exigem uma nova forma de construir

As enchentes também atingiram diretamente a empresa. No Porto XV, a Grafite possuía dez casas prontas, além de terrenos, que sofreram fortes impactos. Segundo os engenheiros, o loteamento havia sido implantado seguindo as regras e as cotas de inundação vigentes na época. A dimensão dos eventos mais recentes, porém, mudou referências utilizadas durante décadas no planejamento urbano.

Para Vitor e Juarez, a construção civil de Encantado precisará se adaptar. Áreas sujeitas ao arraste da água deverão ter restrições maiores, enquanto outros locais poderão exigir soluções construtivas diferentes, como pavimentos térreos destinados a garagens ou áreas não residenciais.

Os engenheiros também defendem que seja tecnicamente estudada a possibilidade de construção de um dique para proteção da área central. Reconhecem que uma estrutura desse porte dependeria de estudos especializados e investimentos elevados, mas entendem que alternativas de proteção precisam ser avaliadas.

Mercado mudou ao longo das décadas

Além dos impactos climáticos, a construção civil enfrenta atualmente custos maiores e dificuldades para encontrar mão de obra. Ao mesmo tempo, o setor passou por uma grande evolução tecnológica. Materiais de melhor qualidade, estruturas pré-moldadas e novos sistemas construtivos tornaram as obras muito diferentes daquelas executadas no início da década de 1980.

O perfil dos consumidores também mudou. Vitor e Juarez observam que parte das novas gerações não demonstra a mesma prioridade dada anteriormente à aquisição da casa própria, optando muitas vezes pelo aluguel e por outros investimentos.

Por outro lado, permanece a procura de investidores por imóveis destinados justamente à locação.

No cenário atual, juros elevados e financiamentos mais caros também tornam compradores e construtores mais cautelosos na hora de lançar novos empreendimentos.

Aos 40 anos, um novo ritmo

Depois de quatro décadas de trabalho conjunto, Vitor Bertozzi e Juarez Mottin começam a projetar um ritmo diferente para a Grafite.

A empresa não possui, até o momento, uma sucessão familiar definida, e sua história sempre esteve fortemente vinculada à atuação direta dos dois engenheiros. “Nós praticamente trabalhamos 40 anos nós dois”, afirmou Vitor.

A tendência agora é reduzir gradualmente a intensidade das atividades. Obras distantes, comuns em outros períodos, já não fazem parte dos planos, e projetos de grande porte, que podem levar quatro ou cinco anos até a conclusão, também são vistos com maior cautela.

O ritmo pode mudar, mas permanece o legado construído desde 1986.

Ao relembrar a trajetória, Juarez destacou valores que, segundo ele, acompanharam a empresa desde o início: honestidade, responsabilidade e compromisso com o cliente.

Depois de milhares de metros quadrados construidos em mais de uma centena de municípios gaúchos, Vitor Bertozzi e Juarez Mottin chegam aos 40 anos da Grafite olhando para uma Encantado muito diferente daquela em que começaram — e para uma cidade cuja paisagem, em muitos pontos, também ajudaram a construir.

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