Resiliência climática

Escolas atingidas por enchentes lideram planos de contingência no RS

Rede estadual conclui 83 protocolos de adaptação a eventos extremos em 2026 e prevê expansão para 550 unidades no próximo ano

Silas Santos3 min de leitura
Sala de aula vazia com carteiras dispostas em fileira, quadros informativos fixados na parede e materiais didáticos organizados no espaço.
Sala de aula vazia com carteiras dispostas em fileira, quadros informativos fixados na parede e materiais didáticos organizados no espaço.

Muçum A Secretaria Estadual da Educação (Seduc) reconheceu, neste mês, 83 escolas da rede estadual que finalizaram o primeiro ciclo do projeto Planos de Contingência para Escolas Resilientes. A iniciativa busca preparar as instituições para responder a eventos climáticos extremos, como enchentes e ondas de calor.

A Escola Estadual de Ensino Médio General Souza Doca, de Muçum, no Vale do Taquari, foi a primeira a concluir o plano, em maio deste ano, como unidade-piloto. Localizada a 280 metros do Rio Taquari, a instituição foi severamente atingida pelas enchentes de setembro de 2023 e maio de 2024.

“A nossa escola era uma antes, e agora é um Souza Doca bem diferente depois da construção desse plano”, avalia a diretora Karina Baronio Cucioli.

Desde a implementação, a escola já precisou acionar o protocolo em dois episódios de risco de inundação. Cada sala de aula conta com quatro mapas com rotas de fuga e evacuação, e treinamentos com os bombeiros orientaram a comunidade escolar sobre a ordem de saída e como lidar com o nervosismo. Pais e alunos também participaram da implementação.

“As coisas foram levadas para o andar de cima. Cada um ficou responsável por um setor, já sabia o que fazer. As pessoas do nosso comitê organizaram e deu tudo muito certo. Se tivesse acontecido, a gente não teria perdido praticamente nada, como foi nos outros episódios”, relatou a diretora.

A preocupação com a questão climática foi incorporada ao currículo. A mostra científica deste ano teve como tema a formação da gota-d’água e a prevenção para eventos climáticos. O projeto “Entre o rio e a cidade: história, mudanças climáticas e o desafio das enchentes” foi reconhecido na 9ª edição da Campanha #AprenderParaPrevenir, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), e rendeu à escola uma estação meteorológica.

A Seduc prevê que, no próximo ano, uma nova etapa do projeto abrangerá 550 instituições da rede estadual.

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