Idosa é arrastada pelo chão em clínica clandestina; três suspeitos são presos no RS

Uma idosa foi filmada sendo arrastada pelo chão e agredida dentro de uma casa geriátrica clandestina na Região Metropolitana de Porto Alegre. A investigação levou à prisão de três pessoas e ao fechamento de dois estabelecimentos em Esteio e Sapucaia do Sul.
A Operação Pietà, realizada pela Polícia Civil na segunda-feira (28), apura suspeitas de maus-tratos e tortura. Ao longo da investigação, nove idosos foram identificados como vítimas. Cinco deles estavam no imóvel de Sapucaia do Sul no momento da operação e foram retirados do local.
Vídeo mostrou idosa sendo arrastada
A investigação começou no início de setembro depois que a Vigilância Sanitária de Esteio teve acesso a imagens gravadas dentro de uma das casas.
O vídeo mostra uma idosa sendo arrastada pelo chão e agredida. A neta da vítima também procurou a polícia depois de tomar conhecimento das imagens e retirou a avó do estabelecimento.
Segundo a investigação, a mulher havia permanecido sob os cuidados das responsáveis pela casa durante cerca de dois anos. Familiares disseram à polícia que desconheciam as agressões.
As imagens passaram a integrar o inquérito e embasaram a investigação por maus-tratos e tortura.
Cinco idosos estavam sozinhos em Sapucaia do Sul
No imóvel de Sapucaia do Sul, a polícia encontrou cinco idosos sem a presença de cuidadores.
Conforme informações do relatório da operação divulgadas pela imprensa, os moradores ainda não haviam recebido alimentação naquela manhã e apresentavam condições precárias de higiene. Pelo menos três estavam com roupas ou fraldas sujas de fezes e urina.
Equipes de saúde também identificaram sinais de desnutrição e desidratação. Uma idosa estava com uma sonda de alimentação deslocada e outra apresentava lesões e escoriações pelo corpo.
Somente um dos cinco idosos conseguia caminhar. Conforme o relatório, mesmo em condição de fragilidade, essa pessoa auxiliava nos cuidados dos outros quatro pacientes acamados.
Medicamentos também teriam sido encontrados armazenados sem identificação dos pacientes, receitas médicas ou prontuários.
Clínicas funcionavam sem alvarás
As duas casas pertenciam ao mesmo grupo familiar e funcionavam sem alvará sanitário, autorização regular e profissionais habilitados, segundo a investigação.
Não havia responsável técnico, enfermeiro, técnico de enfermagem ou médico contratado para atender os moradores. Os cuidados eram prestados pelos próprios responsáveis pelos estabelecimentos e familiares.
Segundo informações obtidas durante a investigação, as famílias pagavam em média R$ 2,5 mil por mês por idoso. A polícia ainda apura por quanto tempo os estabelecimentos funcionaram nessas condições.
Três presos e uma mulher foragida
Uma das administradoras teve a prisão preventiva cumprida durante a operação.
Dois homens ligados à família e que atuavam nos cuidados dos idosos foram presos em flagrante em Sapucaia do Sul.
Outra mulher apontada como administradora dos estabelecimentos não foi localizada e segue sendo procurada pela polícia.
As responsabilidades individuais ainda são apuradas, e os investigados devem responder de acordo com a participação atribuída a cada um ao final dos inquéritos.
Casa em Esteio estava vazia
Quando os policiais chegaram ao endereço de Esteio, o imóvel já estava vazio.
Segundo a investigação, a casa teria sido desocupada após a circulação do vídeo que registrou as agressões. No local, ainda havia leitos improvisados e equipamentos hospitalares, apontados pelos investigadores como vestígios do funcionamento da instituição.
Idosos receberam atendimento médico
Os cinco moradores encontrados em Sapucaia do Sul foram atendidos pelo Samu e encaminhados para serviços de saúde conforme a condição clínica.
Um deles, com quadro de desnutrição e desidratação graves, precisou ser internado. Outra idosa recebeu atendimento para reposicionamento da sonda de alimentação e avaliação das lesões.
Equipes da assistência social passaram a procurar familiares para avaliar o acolhimento dos idosos. Nos casos em que o retorno para a família não for possível, a previsão é de encaminhamento para instituições regularizadas.
A Polícia Civil mantém a investigação para reunir depoimentos, laudos médicos e relatórios da Vigilância Sanitária e da assistência social.
Observação sobre os números: os nove idosos correspondem às vítimas identificadas ao longo da investigação. Cinco estavam no imóvel de Sapucaia do Sul e foram efetivamente retirados da casa durante a operação, segundo informações posteriores sobre o caso.






