Leite perde valor e aperta ainda mais o produtor no RS

O produtor de leite do Rio Grande do Sul deve enfrentar mais um mês de pressão sobre a renda. O valor de referência projetado para setembro ficou em R$ 2,3910 por litro, conforme o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite/RS).
O valor representa uma queda de 0,90% em relação à projeção de agosto, que era de R$ 2,4128 por litro. O preço consolidado de agosto também recuou: ficou em R$ 2,4189, contra R$ 2,4529 em julho, uma redução de 1,39%.
Os cálculos são feitos pela Universidade de Passo Fundo (UPF), com base nas informações de comercialização repassadas pelas indústrias de laticínios.
Entre os fatores que ajudam a explicar a queda estão o aumento da oferta de leite, o volume elevado de importações e a redução nos preços de alguns derivados. Na prática, o cenário diminui as margens tanto para produtores quanto para as indústrias.
A preocupação aumenta porque, ao mesmo tempo em que o preço recua, os custos continuam elevados. Combustível, transporte, alimentação do rebanho e manutenção das propriedades pesam no orçamento das famílias que vivem da atividade.
Temporais aumentam dificuldades no campo
As chuvas intensas registradas recentemente no Estado também agravaram a situação. Em algumas regiões, houve danos em estradas, lavouras e acessos às propriedades, dificultando inclusive o transporte e a coleta do leite.
Outro problema é o prazo para retirada da produção nas propriedades. Atualmente, a legislação estabelece que a coleta deve ocorrer em até 48 horas. Com estradas bloqueadas ou acessos prejudicados, algumas empresas podem não conseguir cumprir o prazo e ficam sujeitas a penalidades.
Por isso, o Conseleite decidiu solicitar ao Ministério da Agricultura e Pecuária uma flexibilização temporária da regra para propriedades afetadas pelos temporais.
O Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do RS (Sindilat) também negocia a medida com o governo federal. A intenção é adotar uma exceção semelhante à aplicada durante as enchentes de 2024, permitindo mais tempo para a coleta e evitando o descarte de leite nas propriedades.
O cenário mantém o setor em alerta, especialmente nas regiões onde a produção leiteira tem peso importante na renda das famílias rurais.






