Política

Globo cancela debate presidencial após sucessivas decisões judiciais

A TV Globo cancelou nesta quinta-feira (1º) o debate presidencial marcado para as 21h30, último antes do primeiro turno de domingo. A emissora tomou a decisão a menos de uma hora do horário previsto, depois de duas liminares reescreverem, em sequência, o regulamento que havia sido assinado com as campanhas e registrado no TSE.

Pela tarde, a ministra Estela Aranha, do TSE, atendeu a pedido da coligação de Lula e suspendeu o item 7 da ata. Ficou proibido exibir o púlpito vazio identificado com o candidato ausente e abrir tempo para perguntas dirigidas a quem não estivesse no estúdio, sob pena de multa. A presença em debate é facultativa. A ministra entendeu que a cláusula tentava compelir o comparecimento.

Mais cedo, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia negado pedido do Missão para incluir Renan Santos. Cármen Lúcia, no STF, também não concedeu a liminar. Por volta das 19h30, Gilmar Mendes cassou o trecho da decisão de Nunes Marques e determinou que a Globo colocasse Renan na vaga aberta pela desistência de Lula, com o mesmo tempo e as mesmas perguntas dos demais. A ação vencedora foi do Solidariedade.

Lula já tinha recusado o convite e marcou entrevista ao Flow no mesmo horário, no Alvorada. Flávio Bolsonaro, que havia confirmado presença, desistiu em seguida e falou em “censura imposta ao evento pelo TSE”. Com os dois primeiros das pesquisas fora e o regulamento alterado duas vezes na reta final, a emissora cancelou o programa. O que sobrava no estúdio era Caiado, Zema, Augusto Cury e Renan Santos, incluído por liminar a poucas horas do ar.

O cancelamento expõe a insegurança jurídica do formato. Regras combinadas com os candidatos e depositadas na Justiça Eleitoral foram suspensas e reescritas por decisões monocráticas sucessivas, de tribunais diferentes, na véspera da transmissão. A interferência atingiu tanto o que a emissora podia mostrar quanto quem ela era obrigada a colocar no púlpito.

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