Polêmica
Ouvi o vereador Valdecir Cardoso dizer, durante a última sessão da Câmara de Vereadores de Encantado, que o salário de vereador não sustenta uma família e que essa também seria uma das razões para ele trabalhar há tantos anos na maior empresa do município.
E o vereador tem razão.
Um salário em torno de R$ 7 mil talvez realmente não seja suficiente para sustentar uma família com tudo aquilo que ela merece: boa saúde, educação de qualidade, lazer, conforto, alimentação adequada e, quem sabe, até uma picanha aos domingos.
O problema é que a realidade da imensa maioria das famílias brasileiras está muito distante disso. O salário de um vereador em Encantado representa pelo menos quatro vezes o salário mínimo nacional, valor com o qual milhões de brasileiros precisam pagar aluguel, alimentação, luz, água, transporte, medicamentos e ainda tentar chegar ao fim do mês.
Então, sim, podemos concordar que R$ 7 mil talvez não seja o suficiente para oferecer a uma família tudo o que ela merece.
Mas, se esse valor é pouco, imagine o que pensa quem precisa sobreviver com muito menos.
Não vamos perder a esperança. Quem sabe um dia o problema do brasileiro seja descobrir como viver com R$ 7 mil por mês.
A conta do segundo turno
Segundo levantamento do Instituto Veritá, realizado entre 1º e 4 de setembro, os eleitores de candidatos que aparecem fora de um eventual segundo turno demonstram comportamentos bastante distintos quando confrontados com uma disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula.
Os números indicam uma tendência de maior transferência dos votos de candidaturas identificadas com a direita para Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, mostram que uma parcela importante desses eleitores ainda não definiu posição, declarou voto branco ou nulo ou não respondeu.
Vale a ressalva: esses percentuais são recortes dentro da pesquisa geral e, em alguns casos, representam grupos pequenos de entrevistados. Por isso, devem ser analisados como tendência, e não com a mesma margem de erro de dois pontos percentuais atribuída ao levantamento nacional.
A pesquisa ouviu 3.804 eleitores em todo o país, tem nível de confiança de 95% e está registrada no TSE sob o número BR-09426/2026.
Eleitores de Para quem vão os votos no 2º turno
Pablo Marçal Flávio Bolsonaro 83,3% • Lula 7,4%
Romeu Zema Flávio Bolsonaro 53,8%
Ronaldo Caiado Flávio Bolsonaro 39,7% • Lula 6,8%
Renan Santos Flávio Bolsonaro 43,7% • Lula 4,9%
Augusto Cury Flávio Bolsonaro 44,8% • Lula 23,1%
Observação: os percentuais restantes correspondem a eleitores que declararam voto branco/nulo, não souberam responder ou não responderam.
Lula perderia força
Mais do que saber quem chega na frente no primeiro turno, talvez a grande questão desta eleição seja descobrir para onde irão os votos de quem ficar pelo caminho.
Os números do Veritá mostram uma vantagem importante para Flávio Bolsonaro nesse quesito. Ele aparece absorvendo parcela expressiva dos eleitores de Pablo Marçal, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos e também leva vantagem entre os eleitores de Augusto Cury.
É justamente essa transferência que ajuda a explicar por que Flávio aparece à frente de Lula na simulação de segundo turno do instituto.
Mas a eleição está longe de estar resolvida. Pesquisas divulgadas nesta semana, como Quaest e Meio/Ideia, mostram os dois tecnicamente empatados em uma eventual disputa direta
Minha humilde leitura é que Flávio Bolsonaro tem hoje uma vantagem estratégica: parece ter um caminho mais natural para reunir os votos da direita no segundo turno. Lula, por outro lado, precisará avançar principalmente sobre o eleitor de centro e sobre quem ainda não escolheu nenhum dos dois.
Talvez esteja justamente aí a chave desta eleição: não apenas em quem consegue mais votos agora, mas em quem será capaz de conquistar os votos que ficarão disponíveis depois do primeiro turno.






