Espanhol chega de bicicleta ao Cristo Protetor em homenagem ao irmão que morreu neste ano

Uma peregrinação pela América do Sul ganhou um significado especial para o espanhol Archi Suarez, de 27 anos. De bicicleta e acompanhado da cadela Dana Margarida, ele chegou ao Cristo Protetor de Encantado durante uma jornada que também se transformou em homenagem ao irmão Jaime, que morreu em 9 de maio deste ano após enfrentar um câncer.
Archi chegou à América do Sul em 21 de abril, pelo Paraguai, onde também comemorou o aniversário. Ao longo do percurso, seguiu de bicicleta por diferentes regiões até chegar ao Rio Grande do Sul. Segundo contou, a viagem começou pelo desejo de conhecer uma pessoa, mas acabou ganhando novos significados ao longo do caminho.
A escolha de Encantado surgiu depois de uma passagem pelo Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Archi relatou que chegou ao monumento acompanhado da cadela, mas não pôde permanecer no local com ela. Depois disso, pesquisou outros monumentos dedicados a Cristo e encontrou o Cristo Protetor.
Foi então que decidiu fazer uma peregrinação de um Cristo ao outro.
Uma homenagem a Jaime
Quando deixou a Espanha, Jaime ainda estava vivo e enfrentava um câncer. O irmão morreu em 9 de maio e, com a perda, o percurso ganhou um novo significado.
Archi contou que a decisão de seguir com a homenagem teve o apoio da família. Segundo ele, um dos irmãos o incentivou a realizar a peregrinação em memória de Jaime.
A viagem passou, assim, a representar uma forma de manter viva a lembrança do irmão ao longo do caminho.
Solidariedade na estrada
A bicicleta também exigiu cuidados durante o percurso. Archi contou que precisou conseguir outra bicicleta e fazer reparos antes de continuar a viagem. Em Curitiba, teve um par de chinelos furtado, mas considerou esses episódios pontuais diante de tudo o que viveu.
O que mais chamou sua atenção foram as pessoas encontradas pelo caminho.
Ele recebeu comida, lugares para dormir e ajuda de desconhecidos em diferentes momentos. Mesmo quando a situação financeira ficou mais difícil, afirmou que continuou encontrando pessoas dispostas a ajudar.
Questionado sobre o que levará como principal lembrança da peregrinação, respondeu: “As pessoas.”
Em outro momento, resumiu a experiência dizendo: “Eu acho que, de verdade, a bondade existe.” Para ele, os gestos recebidos durante o percurso representam coisas que o dinheiro não pode comprar.
Dana Margarida também esteve presente durante toda a jornada. Segundo Archi, a cadela é espanhola e segue ao seu lado na viagem.
Acolhimento em Encantado
A chegada do peregrino também foi marcada pelo acolhimento no Cristo Protetor. Maquerli Bagatini, que atua no setor operacional do monumento, destacou a importância de receber visitantes que chegam ao local em busca de paz e espiritualidade.
“A chegada de pessoas de fora que vêm com essa intenção de buscar a paz, o acolhimento e a espiritualidade é muito importante para nós. Estamos aqui para isso, para receber essas pessoas com todo o carinho, todo o acolhimento e todo o amor”, afirmou.
Para Maquerli, histórias como a de Archi também reforçam o significado das experiências construídas ao longo da caminhada.
“O que importa no final de tudo são as pessoas que a gente conhece no caminho e o amor que elas deixam para a gente”, destacou.
Próxima parada é o Uruguai
Depois da passagem por Encantado, o plano é continuar de bicicleta até o Uruguai. A intenção é chegar a Montevidéu, organizar os pertences e, depois, embarcar em um avião para Madri.
O objetivo é retornar à Espanha até 24 de dezembro, no Natal, para fazer uma surpresa à família.
Depois de sair da Espanha e percorrer parte da América do Sul de bicicleta, Archi Suarez segue agora em direção ao Uruguai. No caminho de volta para casa, leva consigo a memória do irmão, a companhia de Dana Margarida e as histórias das pessoas que encontrou pela estrada.






