Mercado digital

Governo estabelece novas regras para o mercado de jogos eletrônicos no Brasil

Novas regras preveem incentivos à produção nacional, criação da plataforma GameBrasil, formação profissional e reconhecimento dos esportes eletrônicos

Fernanda4 min de leitura
Participantes competem em torneio de jogos eletrônicos durante evento que reúne centenas de jogadores em espaço fechado.
Participantes competem em torneio de jogos eletrônicos durante evento que reúne centenas de jogadores em espaço fechado.

O governo federal regulamentou o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos no Brasil. O decreto, publicado nesta quinta-feira (15) no Diário Oficial da União, estabelece medidas para incentivar a produção nacional de jogos, ampliar a formação profissional e integrar o setor às políticas públicas de educação, cultura, saúde e esporte.

Entre as principais novidades estão a criação da plataforma GameBrasil, o acesso de desenvolvedores a mecanismos de financiamento público e o reconhecimento dos esportes eletrônicos como atividade esportiva competitiva.

Plataforma reunirá jogos brasileiros

Uma das principais medidas é a criação da GameBrasil, plataforma pública coordenada pelo Ministério da Cultura que terá a função de reunir, divulgar e promover jogos eletrônicos desenvolvidos no país.

O sistema deverá apresentar um catálogo da produção nacional e informar onde os títulos estão disponíveis.

A plataforma também poderá armazenar jogos financiados com recursos públicos, permitindo sua utilização por instituições públicas de ensino, pesquisa e saúde, desde que respeitados os direitos autorais.

Empresas poderão acessar incentivos

A regulamentação abre caminho para que empresas e desenvolvedores de jogos eletrônicos tenham acesso a mecanismos federais de incentivo à produção audiovisual.

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) ficará responsável por estabelecer as regras para utilização de benefícios previstos na Lei do Audiovisual e para apresentação de projetos ao Fundo Setorial do Audiovisual.

O decreto também prevê medidas para simplificar a importação de ferramentas e equipamentos considerados essenciais ao desenvolvimento de jogos.

Formação profissional e novas oportunidades

Outra frente da regulamentação é a qualificação de profissionais para trabalhar na indústria de jogos eletrônicos.

O Ministério da Educação poderá incentivar a criação de cursos, pesquisas e projetos relacionados ao desenvolvimento de jogos, inovação e empreendedorismo.

A formação também poderá ocorrer por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

O governo prevê ainda uma rede nacional de espaços voltados à pesquisa e ao desenvolvimento de jogos, que poderá reunir universidades, laboratórios, estúdios, museus e centros de tecnologia.

Receba as principais do dia no WhatsApp

Sem spam. Você sai quando quiser.

Jogos eletrônicos também poderão ser usados na saúde

O decreto determina que o Ministério da Saúde regulamente a utilização de jogos eletrônicos para fins terapêuticos.

As futuras normas deverão estabelecer em quais tratamentos esses recursos poderão ser empregados, além dos requisitos técnicos e sanitários necessários.

O uso de jogos em treinamentos profissionais também deverá seguir critérios de segurança, acessibilidade, proteção de dados e supervisão humana, conforme a atividade desenvolvida.

Esportes eletrônicos ganham reconhecimento

Os chamados e-sports, competições realizadas por meio de jogos eletrônicos, passam a ter reconhecimento expresso como manifestação esportiva competitiva.

As disputas poderão ocorrer individualmente ou em equipes, em campeonatos, torneios, ligas e outras competições.

Organizações do setor também poderão integrar o Sistema Nacional do Esporte, desde que cumpram as exigências legais.

O Ministério do Esporte deverá promover a inclusão dessas modalidades em políticas de formação de atletas, organização de competições, pesquisa e desenvolvimento esportivo.

Proteção de crianças e adolescentes

A regulamentação também estabelece que o setor deverá observar as normas de proteção de crianças e adolescentes.

Os fornecedores de jogos deverão buscar soluções que garantam acessibilidade aos sistemas, serviços e comunidades oficiais vinculados aos jogos eletrônicos.

As medidas de segurança destinadas ao público infantil e adolescente também deverão considerar recursos de acessibilidade sempre que possível.

O decreto não significa que todas as medidas entrarão em funcionamento imediatamente. Parte das iniciativas ainda depende de regulamentações específicas dos ministérios e órgãos responsáveis.

Receba as principais do diaComunidade no WhatsApp, sem spamEntrar
Viu algo acontecendo?Mande foto, vídeo ou sugestão de pautaEnviar
Siga no GoogleVeja o FORÇA DO VALE primeiro nas buscasFonte preferida

Leia também

Últimas