Operação sombra digital

Polícia Civil prende suspeitos de extorsão com ameaça de divulgar conteúdo íntimo

Esquema era coordenado de dentro da Cadeia Pública de Porto Alegre, com apoio de familiares fora do presídio

Silas Santos3 min de leitura
Foto: Polícia Civil / CP
Foto: Polícia Civil / CPFoto: Polícia Civil / CP

Polícia A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Sombra Digital para investigar um esquema de extorsão mediante ameaça de divulgação de imagens íntimas. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, nos bairros Costa e Silva, Mário Quintana, Vila Jardim e Vila João Pessoa, além de uma cela da Cadeia Pública de Porto Alegre.

Segundo a investigação, conduzida pela Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais (Dicesp), a vítima começou a receber mensagens pelo WhatsApp a partir de 4 de agosto, com exigência de R$ 10 mil para que fotos, conversas e outros conteúdos privados não fossem enviados a familiares e colegas de trabalho.

Pressão psicológica e dados pessoais

Os suspeitos usavam diferentes números de telefone, contas e chaves Pix de terceiros. O conteúdo era encaminhado com o recurso de visualização única do aplicativo, estratégia empregada para dificultar o registro e a preservação da prova pela vítima. No dia seguinte, nova mensagem, enviada por uma terceira linha telefônica, reiterou a exigência sob a mesma ameaça de exposição.

Para intensificar a pressão, os autores também enviaram à vítima dados pessoais dela e de seus familiares, incluindo endereços residenciais e locais de trabalho, numa demonstração de intimidação e de acesso a informações privadas.

Coordenação de dentro do presídio

A investigação aponta que o esquema era coordenado de dentro do sistema prisional, por um investigado atualmente recolhido na Cadeia Pública de Porto Alegre, vinculado a organização criminosa com atuação na capital. Ele contava com o apoio de familiares e estrutura criminosa fora do estabelecimento prisional.

A Justiça deferiu o pedido da autoridade policial, determinando a expedição de mandados de busca e apreensão nos endereços dos oito investigados identificados, inclusive na cela onde se encontra recolhido o articulador do grupo. A polícia apreendeu celulares, chips, documentos e materiais relacionados às transações financeiras. O caso segue sob investigação para identificar e responsabilizar todos os envolvidos.

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