Uma menina de 4 anos teria ouvido a voz de um homem desconhecido por meio de um walkie-talkie de brinquedo em Porto Alegre. O caso, ocorrido na noite de quinta-feira (15), está sendo investigado pela Polícia Civil. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o codinome “Lobo Cinzento”, utilizado pelo homem durante a comunicação, pode indicar uma referência associada a um abusador.
De acordo com reportagem do g1 RS publicada nesta quinta-feira (22), o Núcleo de Prevenção à Violência Extrema do MPRS avaliou que o nome utilizado pelo desconhecido pode ser um sinal de alerta. A identidade do homem, no entanto, ainda não foi estabelecida, e as circunstâncias da comunicação dependem de investigação.
A mãe da menina relatou que o aparelho já havia captado vozes anteriormente, mas que, dessa vez, a conversa foi mais clara. Ao perceber o que estava acontecendo, ela pegou o rádio e começou a ouvir a comunicação.
“Levantei, peguei o radinho e fiquei escutando. Ele falou assim: tu sabe com quem tá falando? Aí apareceu a voz de uma criança falando papai. Aí ele fala: não, você está falando com o lobo cinzento”, relatou a mulher ao g1 RS.
Segundo a mãe, a situação provocou medo na filha, que passou a demonstrar insegurança dentro de casa.
“A minha filha começou a chorar, a perguntar se o lobo ia pegar ela. A guria não vai nem ao banheiro sozinha mais agora porque está traumatizada”, afirmou.
Após o episódio, a mulher retirou as pilhas do walkie-talkie, guardou o brinquedo e registrou um boletim de ocorrência pela internet. Ela também gravou a situação e publicou os vídeos nas redes sociais para alertar outras famílias. Sua identidade não foi divulgada para preservar a criança.
Mãe suspeita de proximidade do desconhecido
O aparelho tem alcance informado de aproximadamente 500 metros, conforme o manual de instruções. A distância levantou dúvidas na família sobre a possível localização de quem estaria utilizando o rádio, mas não confirma que a pessoa esteja no mesmo prédio ou nas proximidades da residência.
“O que me deixou mais assustada, além da frase usada, é pela quilometragem, de ser muito pouca, de ser provavelmente alguém do prédio, ou do condomínio, ou da redondeza. É bem assustador. Fiquei bem apavorada. Ainda estou, na verdade”, declarou a mãe.
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Outro ponto que preocupa a mulher é a possibilidade de o aparelho ter captado conversas ocorridas dentro da residência sem que o botão de transmissão estivesse pressionado.
“Eu estava perguntando há pouco se a minha filha queria comer massinha, e ele perguntou alguma coisa de massinha. Parecia que ele estava escutando tudo que estava acontecendo aqui dentro”, relatou.
A suspeita, contudo, ainda não foi confirmada. A perícia deverá ajudar a esclarecer o funcionamento do equipamento e as circunstâncias em que ocorreu a comunicação.
Polícia Civil vai periciar o brinquedo
A Polícia Civil informou que este é o primeiro caso registrado em Porto Alegre envolvendo comunicação desse tipo por meio de um rádio de brinquedo. A instituição considera a ocorrência isolada e afirma que não há motivo para pânico, mas reforça a importância da supervisão dos responsáveis sobre os aparelhos utilizados pelas crianças.
Conforme o delegado André Mociaro, diretor da divisão responsável pela apuração, o registro ainda estava sendo encaminhado à unidade especializada em crimes envolvendo crianças e adolescentes. O aparelho deverá ser recolhido para perícia, e a mãe será chamada para prestar depoimento.
Até a publicação da reportagem do g1 RS, o homem que teria utilizado o codinome “Lobo Cinzento” não havia sido identificado.
O brinquedo envolvido é o Walkie Talkie Guerreiras do K-Pop, comercializado pela Candide Brinquedos. A fabricante foi procurada pelo g1 RS para esclarecer se o aparelho poderia transmitir ou captar sons sem que o botão de fala estivesse pressionado, mas não havia enviado posicionamento até a publicação.
A investigação deverá esclarecer como ocorreu a comunicação e se houve alguma particularidade técnica no funcionamento do rádio. Até o momento, não há confirmação de que o homem pudesse ouvir continuamente o ambiente doméstico ou de que tenha ocorrido uma tentativa de abuso.









