Confesso que, nesta semana, teria inúmeros assuntos para escrever. Mas todos ficaram em segundo plano quando recebi o triste relato de um jovem trabalhador. Não é de hoje que falo sobre como tem sido difícil lidar com “certos tipos de seres humanos” e, diante dessa situação, não consegui me calar.
Há dez anos trabalho com atendimento ao público e já passei por situações semelhantes. Sei o quanto é doloroso ser desrespeitada quando estamos apenas tentando fazer o nosso trabalho da melhor forma possível. E penso em quem precisa ouvir tudo calado porque depende daquele emprego para sustentar a família, pagar os estudos e seguir em frente.
No caso dos funcionários do estacionamento rotativo, isso não é novidade. Desde a primeira implantação do sistema, quando jovens da AME eram responsáveis pela cobrança, já existiam relatos de humilhações e falta de respeito, muitas vezes vindos justamente de pessoas “estudadas” e “bem-sucedidas”.
Discordar da cobrança é um direito. Humilhar quem está apenas cumprindo sua função, não.
Se hoje existe estacionamento rotativo, é porque antes havia quem deixasse o carro o dia inteiro ocupando vagas no centro, prejudicando a circulação e o comércio. Podemos não concordar com determinadas regras ou cobranças, mas existe algo que jamais deveria faltar: respeito.
Respeito ao próximo. Respeito a quem está trabalhando. E, principalmente, respeito a quem enfrenta diariamente o atendimento ao público e não merece ser tratado como menos por simplesmente estar cumprindo sua função.
Divido com vocês o relato do Daniel.
NOTA DE REPÚDIO
“Infelizmente, esta não é a primeira vez que enfrento uma situação de desrespeito durante o exercício do meu trabalho — e, provavelmente, também não será a última.
No dia a dia, atuando no estacionamento rotativo de Encantado, converso com inúmeras pessoas. Na maioria das vezes, tudo ocorre de forma tranquila e respeitosa. Em algumas situações, porém, surgem pessoas mais exaltadas, algo que faz parte da rotina de quem trabalha diretamente com o público.
O que não pode ser considerado normal são atitudes que ultrapassam os limites do respeito, como ofensas, discriminação, humilhações e até situações de bullying.
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Ao longo desses meses de trabalho, já ouvi comentários e palavras que machucam. Não quero transformar este texto em uma lista de acusações, mas mostrar uma realidade que, muitas vezes, quem está do outro lado não consegue perceber.
É muito difícil estar trabalhando honestamente, buscando o sustento da família, pagando contas, estudos e cumprindo suas responsabilidades, e ainda precisar enfrentar situações em que somos desrespeitados simplesmente por estarmos fazendo o nosso trabalho.
Por isso, deixo um pedido simples: tenham mais empatia com os trabalhadores, independentemente da profissão que exercem.
Por trás de cada uniforme existe uma pessoa. Alguém que tem família, sonhos, responsabilidades, dificuldades e sentimentos. Quem nunca passou por uma situação assim talvez não consiga imaginar o quanto determinadas palavras podem ferir.
Para quem trabalha na rua, a realidade pode ser ainda mais difícil. Muitas vezes, não há segurança ou apoio imediato, e situações de conflito precisam ser enfrentadas praticamente sozinho.
Não estou pedindo tratamento especial. Estou pedindo apenas respeito.
É possível discordar, questionar e até reclamar de um serviço. O que não se justifica é ofender, humilhar ou desrespeitar quem está apenas desempenhando sua função.
Antes de julgar ou atacar um trabalhador, lembre-se de que ele também está ali tentando ganhar a vida com dignidade.
Mais empatia. Mais respeito. Menos agressividade.
Ninguém deveria sair de casa para trabalhar e voltar carregando o peso das palavras e atitudes de alguém”.
Daniel Orlandini








