Pertencimento e autonomia

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Todos nós carregamos a necessidade de pertencer. Pertencer a uma família, a um grupo, a uma história, a algum lugar onde nossa presença faça diferença e nossa ausência seja percebida.

Uma das dores mais profundas do ser humano é sentir que não pertence a lugar nenhum. Que mesmo inserido em algum grupo, se sente desconectado dele. Isso me leva a pensar sobre o tensionamento entre a necessidade em pertencer e a necessidade de nos afastarmos de nós mesmos simplesmente em busca do pertencimento.

Desde muito pequenos aprendemos códigos de pertencimento percebendo mesmo nas sutilizas o que agrada, o que desagrada, o que aproxima e o que pode provocar afastamento, e sem perceber, algumas vezes começamos a negociar pequenas partes de nós para continuar fazendo parte, e assim vamos calando uma opinião, aceitamos algo que não queríamos, complexamente seguindo um caminho porque era o esperado.

Quantas vezes para caber, precisamos nos diminuir, e assim, mesmo inseridos em um grupo, vamos desaparecendo.

Em quantos lugares cabemos inteiramente? E é nesse ponto que entra a autonomia, e autonomia aqui não é romper vínculos ou acreditar que não precisamos de ninguém. É poder estar com o outro sem deixar de estarmos inteiros, conseguindo dizer “sim” quando queremos dizer sim e também sustentar um “não” quando for necessário. Autonomia no sentido de não entregar a alguém a responsabilidade pelas nossas escolhas.

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Compreendemos que nossos filhos não vieram para realizar os sonhos que imaginamos para eles? Que vieram para construir os próprios caminhos?

Nos relacionamentos, entendemos que duas pessoas podem caminhar juntas sem que uma precise viver à sombra da outra?

Olhamos para espaços público e sentimos que também é nosso, compreendendo que aquilo que recebemos também ajudamos a construir? Aqui o pertencimento e a autonomia se encontram na corresponsabilidade.

Precisamos de vínculos, mas também precisamos de espaço. Precisamos de raízes, mas também de movimento. Precisamos saber que existe um lugar para onde podemos voltar, mas também ter coragem para descobrir lugares onde ainda nunca estivemos.

Autonomia não significa caminhar sozinho e pertencimento não significa estar preso, pois é possível estar profundamente ligado a pessoas, lugares e histórias e ainda assim, escolher os próprios passos. Todos nós precisamos raízes suficientemente profundas para sabermos de onde viemos e asas suficientemente livres para descobrirmos quem ainda podemos ser.

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