Feminicídio em porto alegre

Acusado de matar Brasília Costa e descartar corpo em mala é pronunciado para júri popular

Justiça decide que Ricardo Jardim será julgado por feminicídio e outros crimes; cabeça da vítima de 65 anos ainda não foi encontrada

Silas Santos3 min de leitura
Homem com máscara e boné em imagem de câmera de segurança durante investigação de morte em Porto Alegre.
Homem com máscara e boné em imagem de câmera de segurança durante investigação de morte em Porto Alegre.Foto: Polícia Civil/CP

Polícia A Justiça de Porto Alegre pronunciou Ricardo Jardim e o levará a júri popular pela morte de Brasília Costa, de 65 anos. A decisão é da juíza Cristiane Busatto Zardo, da 4ª Vara do Júri da Capital, especializada em feminicídio, e foi proferida na quarta-feira (14). O réu está preso preventivamente e a data do julgamento ainda não foi definida.

Jardim responderá por feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar, com agravantes relacionadas à idade da vítima e ao suposto uso de recurso que teria dificultado sua defesa. Ele também é acusado de vilipêndio e ocultação de cadáver, furto, falsificação de documento público, uso de documento falso, falsa identidade, invasão de dispositivo informático e três episódios de furto mediante fraude.

O crime

Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Brasília e Jardim mantinham um relacionamento afetivo e moravam na mesma pensão, no bairro São Geraldo, em Porto Alegre. A acusação aponta que o crime ocorreu entre 8 e 12 de agosto de 2025.

Após a morte, o suspeito teria ocultado partes do corpo em diferentes locais da Capital. Uma mala contendo o tronco da vítima foi deixada na Estação Rodoviária de Porto Alegre. A cabeça de Brasília ainda não foi localizada. Exames genéticos permitiram a identificação da vítima e a confirmação do parentesco com o irmão dela.

Investigação

Imagens de câmeras de segurança da rodoviária e de outros pontos da cidade ajudaram os investigadores a rastrear o percurso da pessoa que deixou a mala no local. A denúncia também atribui a Jardim a subtração do celular de Brasília e o acesso a comunicações privadas armazenadas no aparelho. Conforme o MPRS, ele teria enviado mensagens se passando pela vítima para simular que ela continuava viva e evitar que o desaparecimento fosse percebido.

O réu também é acusado de realizar três saques de valores pertencentes ao espólio da vítima. Na decisão, a magistrada considerou haver prova da materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria para que o caso seja levado a julgamento popular. Cabe recurso da decisão. A acusação será conduzida pelas promotoras de Justiça Luciana Cano Casarotto e Luciane Wingert.

Central de Atendimento à Mulher: denúncias de violência podem ser feitas pelo número 180.

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