Economia

Se preparando para passar o bastão

A Construvale completa 30 anos de atividades em 2026 com uma trajetória marcada pelo trabalho familiar, pela adaptação ao mercado e pela relação construída com os clientes. Parte dessa história foi relembrada por Derqui e pela filha Ana Paula durante entrevista ao programa Página Central, do Jornal Força do Vale.

A conversa percorreu os primeiros passos da empresa, as dificuldades do início, o crescimento, a participação da família e o processo de sucessão que começa a ganhar forma com a nova geração.

O começo no ramo

A ligação de Derqui com o setor de materiais de construção começou antes da abertura da Construvale. Em 1987, passou a trabalhar na Demac Materiais de Construção, onde permaneceu por cerca de oito anos. Foi nesse período que adquiriu experiência e amadureceu o desejo de ter o próprio negócio. Em 1996, colocou o projeto em prática. A empresa surgiu inicialmente a partir de uma sociedade e, desde o começo, a esposa Jaque assumiu funções na área administrativa.

Os primeiros anos foram de estrutura enxuta e muito trabalho. Em um mercado competitivo, a estratégia era conquistar espaço por meio do atendimento, da proximidade e da confiança dos clientes.

Um dos momentos decisivos ocorreu em 2008. A empresa funcionava em imóvel alugado e utilizava um terreno do outro lado da rua como depósito. Quando a área foi colocada à venda, a família decidiu buscar recursos e adquirir o espaço. A compra abriu caminho para uma nova etapa de crescimento e estruturação. Hoje, segundo Derqui, a loja trabalha com aproximadamente 10 mil a 12 mil itens.

Uma história construída em família

Derqui e a esposaJaque acompanharam o crescimento da empresa desde o primeiro dia, enquanto os filhos cresceram convivendo com a rotina da loja.

Ana Paula relembrou que boa parte de suas memórias de infância está ligada ao negócio. Depois da escola, permanecia na loja e, conforme crescia, passou a ajudar em tarefas como a contagem de estoque.

Mesmo assim, decidiu buscar experiência fora da empresa familiar antes de ingressar definitivamente no negócio.

Formada em Engenharia de Produção, trabalhou em uma indústria, passando por setores como pesquisa e desenvolvimento, qualidade, produção e planejamento. Em uma das funções, liderou uma equipe de 37 pessoas. A entrada definitiva na Construvale ocorreu quando surgiu a necessidade de reforçar o setor administrativo. Ana Paula passou a atuar principalmente ao lado da mãe, nas áreas financeira e de gestão.

A sucessão, porém, será gradual. Derqui defende que a filha conheça os diferentes setores antes de assumir novas responsabilidades.

Renovar sem perder a essência

A chegada da nova geração também trouxe discussões sobre modernização.

Ana Paula reconhece que a empresa ainda utiliza papel, agendas e controles manuais em parte da rotina e vê espaço para ampliar o uso de sistemas digitais, principalmente em compras, estoque e organização interna.

No setor de vendas, o comércio eletrônico ainda encontra limitações. Muitas compras são urgentes e produtos como pisos e revestimentos dependem da avaliação presencial do consumidor.

Troca de experiências

Outra mudança recente foi a participação da Construvale em uma rede de lojas do setor.

A integração possibilita trocar informações com empresários de outras regiões, participar de cursos, conhecer fornecedores e acompanhar novas práticas de mercado.

Para Ana Paula, a experiência também contribui para o aprendizado e permite buscar soluções que possam ser adaptadas à realidade da empresa.

Os desafios mudaram

Se no início o principal desafio era conquistar espaço, hoje as preocupações envolvem cenário econômico, juros, custos e carga tributária. “Na época, o difícil era começar e dar a virada. Hoje, o difícil é se manter”, resumiu Derqui.

Ana Paula aponta ainda a dificuldade de encontrar mão de obra, principalmente para funções que exigem esforço físico.

A empresa conta com funcionários que permanecem há quase duas décadas ou mais, especialmente no depósito. Com o passar dos anos, será necessário preparar novos trabalhadores para essas atividades.

Crescer sem perder o controle

Ao longo da trajetória, a família chegou a avaliar possibilidades de expansão e manteve outra loja por um período. A experiência mostrou, porém, que crescer nem sempre significa melhorar o negócio. A prioridade passou a ser manter uma estrutura sólida, administrável e próxima do cliente.

Uma nova geração para dar continuidade

Para Ana Paula, ampliar gradualmente sua participação representa dar continuidade a uma história que acompanha desde a infância.

“Eu tenho muito orgulho deles e poder aprender com eles talvez seja a maior escola que eu tenho a oportunidade de ter na vida”, afirmou.

Para Derqui, a sucessão também representa a possibilidade de preservar tudo o que foi construído ao longo de três décadas.

Aos 30 anos, a Construvale entra em uma nova fase. Derqui e Jaque seguem envolvidos na rotina, enquanto Ana Paula amplia sua participação e começa a se preparar para ajudar a conduzir os próximos capítulos da empresa.

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