Leite mais caro? Alta dos custos acende alerta no Vale do Taquari

O produtor de leite do Vale do Taquari entra no fim de setembro diante de uma combinação que pressiona a rentabilidade da atividade: insumos mais caros e sinal de recuo na remuneração do leite.
O Índice de Insumos para Produção de Leite Cru do Rio Grande do Sul (ILC), calculado pela Assessoria Econômica da Farsul, avançou 0,9% em agosto. No acumulado de 2026, a inflação dos custos chega a 2,05%, enquanto, em 12 meses, a alta é de 1,05%.
A pressão ocorre especialmente nos componentes ligados à alimentação dos animais. Segundo a análise da Farsul, a valorização dos grãos, com destaque para soja e milho, está entre os fatores que devem manter os custos elevados. Combustíveis também entram no radar devido às oscilações do petróleo no mercado internacional.
Custo sobe e referência do leite recua
Enquanto as despesas avançam, o último indicador disponível do Conseleite/RS apontou movimento contrário na remuneração.
Para agosto, o valor de referência foi projetado em R$ 2,4754 por litro, queda de 1,01% sobre os R$ 2,5005 projetados para julho. Pelo novo modelo de cálculo que está sendo implantado pelo conselho, a projeção de agosto ficou em R$ 2,4128 por litro.
O valor efetivamente recebido pelo produtor pode variar conforme volume entregue, qualidade do leite, logística, relação comercial e outros critérios. A próxima reunião do Conseleite/RS, quando deverão ser apresentados os números de setembro, está marcada para 29 de setembro.
Para propriedades do Vale do Taquari, onde alimentação, energia elétrica, combustível, fertilizantes e produção de silagem têm peso relevante na composição dos custos, a combinação exige atenção redobrada à margem por litro produzido.
Vale produz mais leite em menos propriedades
O cenário de custos ocorre ao mesmo tempo em que a cadeia leiteira regional passa por uma transformação estrutural.
Dados divulgados nesta quinta-feira (24) sobre a operação da Dália Alimentos, de Encantado, mostram uma produção cada vez mais concentrada em propriedades de maior escala e produtividade. Cerca de 80 propriedades respondem por 70% de todo o leite recebido pela cooperativa.
O movimento revela uma realidade já perceptível no campo: há menos produtores, mas aqueles que permanecem na atividade ampliam escala, tecnologia e eficiência.
A produção regional também demonstra elevado nível tecnológico. Na granja leiteira da Dália em Nova Bréscia, por exemplo, 180 vacas em lactação apresentam média de 42 litros por animal/dia, enquanto produtores associados da cooperativa receberam reconhecimento nacional durante a Expointer 2026.
Setembro pode trazer nova pressão
A Farsul projeta aceleração dos custos da produção leiteira em setembro, principalmente em razão da valorização dos grãos e dos reflexos das cotações do petróleo sobre combustíveis.
Para o Vale do Taquari, onde o leite permanece como fonte importante de renda para centenas de famílias rurais e movimenta cooperativas, agropecuárias, transportadores e indústrias, o comportamento dos custos e do preço pago ao produtor será decisivo para os próximos meses.
Com despesas avançando e a remuneração ainda sem acompanhar o mesmo ritmo, produzir mais já não basta: eficiência e controle de custos passam a ser cada vez mais determinantes para manter a atividade rentável no campo.






