Parlamentares e dirigentes da oposição argentina exigiram nesta quarta-feira (28) explicações do governo de Javier Milei sobre uma eventual ajuda para a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da Argentina rumo aos Estados Unidos. O bloco oposicionista União pela Pátria apresentou um pedido de interpelação ao chefe de gabinete, Diego Santilli, para que preste contas perante o Congresso.
Flávio Bolsonaro, sua esposa e suas duas filhas entraram na Argentina na noite de terça-feira (27) pela província de Misiones e, cerca de duas horas depois, partiram de Puerto Iguazú em um avião privado com destino aos Estados Unidos, com escala em Guayaquil, no Equador. A aeronave pousou no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, por volta das 10h23 desta quarta-feira.
O senador, de 45 anos, é alvo de várias investigações judiciais em curso no Brasil. A Justiça havia proibido sua saída do país e determinado o cancelamento de seus passaportes, embora não houvesse ordem de prisão contra ele.
Questionamentos da oposição
O bloco União pela Pátria questionou o governo argentino sobre “por que não foi retida a aeronave nem atrasada a decolagem enquanto se verificava a situação judicial do passageiro”, dada a implicação do caso para a relação bilateral entre os dois países. Os parlamentares também perguntaram por que o comunicado oficial que confirmou a entrada e a saída de Bolsonaro foi divulgado somente após a decolagem.
O deputado Agustín Rossi, da ala peronista de oposição, foi direto na cobrança. “Bolsonaro fugiu. Milei o ajudou. Já apresentamos o pedido de interpelação ao chefe de gabinete, Diego Santilli, para que preste contas perante o Congresso”, publicou no X.
Além disso, os parlamentares solicitaram ao governo que confirme uma informação publicada pelo jornal La Nación sobre a presença do assessor presidencial Santiago Caputo no aeroporto internacional de Puerto Iguazú horas antes da decolagem do voo. Segundo apuração do UOL, Caputo viajou até a região, hospedou-se em um hotel, deslocou-se até Foz do Iguaçu e acompanhou toda a operação para levar o senador e a família até o aeroporto argentino.
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A rota da viagem
As autoridades argentinas informaram na madrugada desta quarta-feira que Flávio Bolsonaro e sua família ingressaram no país às 22h50 de terça-feira pelo passo fronteiriço da Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones, com documentação de viagem válida e sem impedimento legal para entrada. Às 23h30, a comitiva embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A. com destino a Guayaquil.
Em território argentino, a van que transportava o grupo foi acompanhada pela Polícia de Segurança Aeroportuária argentina (PSA), o que é considerado mais um forte indício do envolvimento do governo argentino na operação. O motorista da van foi abordado por jornalistas argentinos no aeroporto e questionado sobre a presença do senador.










