O resultado do segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25), poderá provocar fortes oscilações no mercado financeiro brasileiro já na segunda-feira (26). Uma pesquisa realizada pelo Citi com 73 gestores de fundos de ações e multimercado revela expectativas bastante diferentes para a Bolsa de Valores, o dólar e os juros futuros, dependendo de quem vencer a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (23), mostra que os investidores consultados esperam uma reação positiva dos ativos brasileiros em caso de vitória de Flávio Bolsonaro. Já uma eventual reeleição de Lula é associada, pela maioria dos participantes, à queda da Bolsa, à valorização do dólar e à alta dos juros futuros.
Bolsa pode subir ou cair mais de 5%
No cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, 49,3% dos gestores acreditam que o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, poderá subir mais de 5% no primeiro pregão após a eleição. Outros 48% projetam valorização entre 1% e 5%.
Para o dólar, 78,1% esperam que o real se valorize entre 2% e 5% diante da moeda norte-americana.
Se Lula vencer, a expectativa se inverte. Cerca de 80% dos gestores projetam uma queda superior a 5% no Ibovespa, enquanto 63% acreditam que o real poderá perder mais de 5% de seu valor em relação ao dólar.
Juros futuros também devem reagir
As diferenças aparecem ainda nas projeções para os juros futuros, que refletem as expectativas dos investidores sobre as taxas de juros nos próximos anos.
Com a vitória de Flávio Bolsonaro, 54,9% dos entrevistados esperam uma redução entre 50 e 100 pontos-base nas taxas dos contratos futuros de juros com vencimento em janeiro de 2029, equivalente a uma queda de 0,5 a 1 ponto percentual.
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Em caso de reeleição de Lula, 67% projetam uma elevação superior a 100 pontos-base, ou seja, mais de 1 ponto percentual nesses contratos.
Essas movimentações não significam uma alteração imediata na taxa básica de juros, a Selic, mas representam mudanças nas expectativas do mercado em relação ao cenário econômico.
Contas públicas influenciam expectativas
A principal preocupação dos investidores continua sendo a condução da política fiscal, especialmente o controle dos gastos públicos, o endividamento do país e a capacidade do próximo governo de equilibrar as contas.
A pesquisa revela que parte dos gestores associa uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à expectativa de maior compromisso com o ajuste fiscal. Por outro lado, a reeleição de Lula é vista por esses participantes como um cenário de maior incerteza em relação à trajetória das contas públicas.
Apesar das projeções expressivas, os percentuais representam apenas as expectativas dos gestores ouvidos, e não movimentos garantidos do mercado.
A reação efetiva dependerá do resultado das urnas, do cenário econômico internacional e, principalmente, das primeiras sinalizações do presidente eleito sobre a condução da economia.
Fonte: Pesquisa do Citi divulgada em 23 de outubro de 2026, repercutida por Folha de S.Paulo, CNN Brasil e Brazil Journal.









