Podridão normal

Atualizado em 11/10/2026 às 23h503 min de leitura

Dona Romilda Rosa Ferreira, bolsonarista militante, centralizou os pix para fretar um ônibus em São Lourenço, para quem queria aderir ao acampamento na frente do QG do Exército. O ônibus tinha gente de São Lourenço, Itamonte e Caxambu. Semana passada ela foi condenada a 14 anos por associação criminosa armada, tentativa de golpe de estado e abolição violenta do estado de direito. Ela já carrega, há tempos, tornozeleira de semi-prisioneira política. O Brasil, por coincidência, tem tantas Romildas quantos presos políticos tem a Venezuela. Só que lá logo estarão livres, numa anistia geral que abrange os 26anos de chavismo. Se nossa crise fosse apenas política, com radicalismos, extremismos, fanatismos, vinganças, arbítrio e medo, tudo se resolveria por uma pacificação e volta ao devido processo legal, como aquilo que a Venezuela vai tentar a partir de agora. Mas aqui a crise é mais grave e destruidora. E não é só de ignorância, de falta de conhecimento. Sim, é preocupante que um terço do ensino médico seja inferior a medíocre. “Quem vai cuidar de nós?”- perguntam-se os médicos de meia-idade. Não; não é apenas o ensino medíocre em quase todas as áreas, em que até profissionais que têm a língua portuguesa como principal ferramenta, não sabem o significado das palavras, não sabem construir uma frase na lógica da língua. A crise é ainda pior. É moral – ou ética, para usar um sinônimo. São a falta de princípios, que deveriam ser inculcados na medula das novas gerações na casa da família. Mas como, se até as famílias estão falindo? O Estadão de domingo mostra o “Compadrio Brasileiro” num artigo de Fernando Schüller, em que um banqueiro esperto, Vorcaro, contrata o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, por 1 milhão por mês; contrata o ex-ministro do Supremo, depois Ministro da Justiça, Lewandovski, por 5 milhões – ambos por indicação do líder do governo, Senador Jacques Wagner. O artigo mostra que a família de Moraes tem o inédito contrato de advocacia de valor gigantesco: 129 milhões; que o Ministro Toffoli, que é relator do caso, é ligado ao Master via resort-cassino onde recebe banqueiros, ou a advogado de banco que lhe dá carona em jatinho, e seus irmãos vendem cotas para advogado da JBS, da multa anulada. Diante de tudo isso, o que recebe punição, o mais grave, é pagar ônibus para manifestante ir a Brasília, ou escrever com batom em estátua de granito. Isso dá 14 anos de prisão. O Supremo, os presidentes do Senado e da Câmara, e o Presidente da República se juntam para que não haja consequências, como as que houve para Déboras e Romildas. Ou será um dominó. Sigilo sobre provas, inércia sobre pedidos de impeachment, blindagens em CPIs. O editorial principal do Estadão da sexta-feira afirma no título que estão “Fazendo o País de Bobo”. O pior de tudo é a banalização

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