Agro

Chuva põe qualidade do trigo em alerta no Vale do Taquari

A safra de trigo entra em uma fase decisiva no Vale do Taquari. Cerca de 2.795 hectares são cultivados nos municípios atendidos pelo escritório regional da Emater/RS-Ascar nos vales do Taquari e Caí. Com a maior parte das lavouras ainda em desenvolvimento, o excesso de umidade coloca o clima entre os principais fatores para definir a produtividade e a qualidade dos grãos.

De acordo com o levantamento regional, 58% das lavouras estão em enchimento de grãos, 15% em maturação e o restante em floração. A expectativa é de que a colheita ganhe força entre o fim de outubro e o início de novembro.

É justamente neste período que as condições climáticas passam a ter peso maior. A alternância entre chuva e períodos de sol pode favorecer o desenvolvimento de doenças nas espigas, como a giberela, com potencial para prejudicar a produtividade e a qualidade industrial do trigo.

O cenário estadual reforça o alerta. Segundo o boletim da Secretaria da Agricultura, entre 24 e 30 de setembro, os volumes de chuva no Rio Grande do Sul variaram de zero a 200 milímetros, com registros superiores em pontos isolados. Naquele período, apenas 1% do trigo gaúcho havia sido colhido, enquanto 57% estava em enchimento de grãos e 21% em maturação.

Qualidade pode influenciar o preço

A preocupação para o produtor não está apenas no volume produzido, mas também na qualidade do trigo que chegará ao mercado.

Em outras regiões produtoras, o excesso de umidade já contribuiu para uma maior oferta de trigos de qualidade inferior, enquanto os lotes dentro dos padrões mais procurados pela indústria ficaram mais valorizados.

Essa diferença pode ser significativa. No fim de setembro, a referência de trigo industrial em Carazinho chegou a R$ 1.500 por tonelada, enquanto o trigo destinado à ração tinha indicação de R$ 769 por tonelada em Carazinho e Santa Rosa.

Os valores são referências de mercado e não representam necessariamente o preço que será recebido pelos produtores do Vale do Taquari. A classificação, a qualidade do grão, a finalidade e as condições de comercialização interferem no valor final.

Para os agricultores da região, o alerta chega antes do início mais intenso da colheita: manter a qualidade do grão pode ser tão importante quanto alcançar uma boa produtividade.

Ainda não é possível afirmar que haverá perda generalizada de qualidade no Vale do Taquari. A maior parte das lavouras permanece em enchimento de grãos, e o comportamento do clima nas próximas semanas será decisivo para determinar o resultado da safra.

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