Movimento
Tenho tentado buscar entender esse movimento político no qual estamos, ou nos meteram, inseridos, no contexto eleitoral em que duas frentes ficam evidentes a cada dia que passa em direção a outubro, mais especificamente, dia 4. Nenhuma informação, por mais substancial que seja, consegue demover boa parte daqueles que analisam a política sob o “eu gosto ou não gosto”. De maneira nenhuma pretendo aqui desmerecer o direito de cada um quando se fala na sua escolha pessoal, individual, diante do que acredita. O que me causa curiosidade é entender esse movimento de massa.
Sim, as redes sociais acabaram expandindo esse fenômeno. Grupos surgem quando existem afinidades entre os componentes; no caso aqui, falo de internet. Um alimenta o outro apenas com aquilo que consegue oferecer e, pela lógica, se está em determinado grupo, é porque tem preferência pelo material ali publicado. Não existe o contraponto, a incerteza, possibilidades; surgem apenas certezas que, ditas por outro do mesmo grupo, mais outro e assim por diante, formam convicção pela afinidade de pensamentos.
Nesse instante, as teses debatidas acabam sendo validadas e, desta maneira, a certeza, que já era forte, torna-se certeza absoluta. Quando isso acontece, nada mais interessa, e isso, por si só, é um grande perigo. Qualquer movimento contrário pode desencadear reações impensadas, e digo: das imagináveis até aquelas absurdamente inimagináveis.
Condenado
A comparação que eu trago para ilustrar, se é que se pode assim denominar, tem a ver com torcida de futebol. Em um primeiro instante, imaginam-se guerras entre torcidas, brigas em campo. Mesmo sendo isso um absurdo, fala muito de paixão, e nesse meio sempre houve e haverá rivalidades que extrapolarão.
Mas, no exemplo, supera o imaginável, porque não coloca os envolvidos em lados opostos, mas no mesmo lado, unidos pelo amor, que imagino ter sido o componente que os levou ao matrimônio, inclusive com filhos gêmeos de 2 anos de idade.
Leonardo Ceschini foi condenado no início desta semana a 13 anos por matar a esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, com oito facadas após brigarem por futebol. Isso mesmo: o marido corintiano matou a facadas a esposa palmeirense. O empresário de 39 anos matou a representante comercial de 34 em 31 de janeiro de 2021, dia seguinte à final da Copa Libertadores, na qual o Palmeiras se sagrou campeão.
Notem como a intolerância pode alcançar cenas como estas: na frente dos filhos, um casal briga pela paixão doentia por um clube de futebol, com desfecho trágico.
Massas
Creio que vai muito tempo para conseguir uma resposta a este movimento que ignora qualquer apuração que poderia colocar seu líder na condição de dúvida. Na verdade, tenho dúvidas se um dia teremos uma resposta adequada.
Nessa minha pesquisa, encontrei, na Psicologia das Massas e Análise do Eu, de Sigmund Freud, de 1921, a teoria que explica como o indivíduo perde sua autonomia crítica ao integrar um grupo devido a laços libidinais e à figura de um líder.
Conforme Freud, o indivíduo na multidão regride a estados mentais primitivos, diminuindo a atuação do senso crítico e da consciência moral. A ideia é que o grupo coloca o líder em lugar do seu próprio ideal do Eu, cedendo a ele o julgamento de suas ações e sentindo-se protegido do desamparo. Por sugestão e contágio, a massa é altamente influenciável, acrítica e movida por sentimentos intensos e extremos, transformando rapidamente um impulso simples em paixão ou em ódio irracional.
Momento
Refiro-me a esse tema, movimento de massa, com um exemplo inacreditavelmente absurdo, porque os últimos acontecimentos envolvendo o órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro podem mexer ainda mais com os ânimos exaltados envolvendo a campanha presidencial.
A ligação, cada vez mais clara, do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, que provocou o maior escândalo financeiro do Brasil, ganhou mais argumentos com a revelação das conversas telefônicas entre os dois, depois que o relator do caso no STF, ministro André Mendonça, removeu o sigilo sobre o relatório da Polícia Federal.
Essa ligação fica escrachada quando Vorcaro reclama ao seu sócio, Angelo Silva, que o pagamento não foi feito para o escritório de advocacia da esposa de Moraes: “mais importante que temos”. O banqueiro também disse a Moraes ter uma “dívida de vida” e ainda agradeceu por “tudo”. Conforme a Polícia Federal, a mensagem foi enviada em 14 de novembro de 2025.
A situação, que já era instável no próprio STF, ganhou contornos de guerra e vale-tudo depois que o ministro André Mendonça solicitou à Procuradoria-Geral da República um parecer sobre as mensagens que envolviam ainda o próprio procurador-geral, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF.
Curioso
Notem as coincidências: depois que o ministro André Mendonça tira o sigilo do relatório da Polícia Federal, que expõe mais uma vez a relação íntima entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, vem a público uma ligação telefônica em que o advogado Ciro Rocha Soares, próximo de Vorcaro, envia uma mensagem ao banqueiro em que discute um suposto encontro com o ministro Mendonça.
Na quarta-feira desta semana, o ministro André Mendonça divulgou uma nota em que esclarece que recebeu uma única vez o banqueiro, em março de 2025, e que também, no mesmo mês, atendeu o advogado de Vorcaro. Parece que, nestas instâncias, onde se tem pouca penetração da luz solar, todos têm todos nas mãos.
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Defesa
Diante de tudo isso, para aqueles que falam em seus próprios grupos, não haverá, pode ter certeza disso, um debate para entender, de fato, as relações hábeis de Daniel Vorcaro neste universo de autoridades das mais diferentes matizes e nesta teia de relações, no mínimo, duvidosas.
Haverá só a acusação de um dos lados, seja qual for, porque querem acreditar nas suas convicções. Ligarão os holofotes nos seus acusados e apagarão, de forma natural, até mesmo as possíveis lamparinas para não ver o envolvimento daqueles que defendem, porque precisam da confirmação daquilo em que acreditam.
Não haverá uma análise crítica e o sistema, como afirma o Capitão Nascimento em Tropa de Elite, “entrega uma mão para salvar o braço”. Para recordar ainda mais sobre as frases icônicas do filme: “O sistema é corrompido, flexível e se adapta para se manter vivo, sacrificando peças menores para proteger sua estrutura principal”.
Mesmo assim, haverá, na base, onde a informação chega com edições prontas para cada grupo, defesas cerradas e armadas para o confronto.
Campanha
A Câmara de Vereadores de Encantado está veiculando, em suas redes sociais, uma campanha contra o feminicídio. Tomou forma no último dia do mês de agosto, que é conhecido como “Agosto Lilás”, uma campanha nacional de conscientização criada para prevenir e combater a violência contra a mulher.
Sobre esse assunto e a proteção das crianças e adolescentes, eu conversei com a vereadora Aline Ganasini no Sem Roteiro desta semana. Continua nas redes do Jornal Força do Vale.
Direitos
As mulheres só tiveram direito ao voto em 1932. Para trabalhar sem a autorização marital, somente em 1962, no Estatuto da Mulher Casada, que eliminou a exigência. O divórcio ocorreu no Brasil em 1977, o que deu autonomia para encerrar o casamento. A igualdade jurídica formal entre homens e mulheres veio em 1988, na Constituição Federal.
Em 2006, foi criado o mecanismo rigoroso para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar com a constituição da Lei Maria da Penha. Somente em 2015 foi alterado o Código Penal para classificar o homicídio de mulheres por razão de gênero: feminicídio. E somente em 2023 veio a igualdade salarial, para reforçar a obrigatoriedade de remuneração igual para trabalho de igual valor.
E, para encurtar, somente em 2023 o Supremo Tribunal Federal declarou, por unanimidade, que a tese da “legítima defesa da honra” é inconstitucional e não pode ser utilizada em nenhuma fase do processo penal brasileiro. Se a tese for empregada de forma direta ou indireta, o julgamento é anulado.
Expointer
Estive na Expointer nesta semana. Depois de muitos anos, voltei este ano à maior feira agropecuária a céu aberto da América Latina. Mesmo diante da instabilidade do tempo, pelo menos no início da semana, muita gente participando.
Visitei os estandes dos nossos produtores de Encantado, como a Agroindústria Slaifer e Casa Slaifer, Alma de Gato, as facas do meu amigo Dilamar Bombardelli e a Associação de Apicultores.
Ao meio-dia, almocei no estande da Duagro Soluções Sustentáveis, do amigo Eloir Daltoé, que nos recebeu com uma maravilhosa feijoada preparada pelo especialista Roquelane Sandri.
Assumiu
O prefeito Jonas Calvi, de Encantado, assumiu em suas redes sociais a candidatura de Gabriel Souza, do MDB, para governador. O vereador Daniel Passaia, durante comunicação de bancada, convidou para um encontro de apoio aos seus candidatos a governador, Luciano Zucco, e Zema para presidente.
Já o vereador Cris Costa pediu a palavra e solicitou ao presidente uma orientação jurídica sobre nomes de candidatos durante as sessões ordinárias da Câmara. O vereador disse que se pode também falar sobre os seus.
Já o presidente da Casa, Leonardo Lorenzi, afirmou que já havia um acordo de que não se falaria em nomes de candidatos.
Curioso
Na política sempre vai haver de tudo um pouco. O vereador Passaia, que está no União Brasil, falou de apoio a Luciano Zucco, do PL. Já o seu partido, que, aliás, tem uma federação com o PP, em nível nacional liberou seus filiados. Porém, aqui no Rio Grande do Sul, o apoio do União é para Gabriel Souza, do MDB, conforme o anúncio oficial do presidente estadual da sigla, deputado federal Luiz Carlos Busato.
Frase
Frase
Exige muito de ti e espere pouco dos outros. Assim, evitará muitos aborrecimentos.








