O governador Eduardo Leite (PSD) reagiu, nesta quinta-feira (5), às declarações de aliados do governador eleito Luciano Zucco (PL) sobre a possibilidade de retorno do parcelamento dos salários dos servidores públicos estaduais em 2027. Leite afirmou que deixará o governo com pagamentos em dia e recursos em caixa, cobrando responsabilidade da próxima administração na condução das finanças públicas.
A discussão começou após o deputado estadual Cláudio Branchieri (PL), relator do orçamento de 2027 e cotado para assumir a Secretaria da Fazenda, reconhecer que existe risco de atraso nos pagamentos. Apesar do alerta, Branchieri ressaltou que o parcelamento não faz parte dos planos da futura gestão.
Leite contestou a avaliação e destacou que Zucco assumirá o governo em condições financeiras melhores do que aquelas encontradas por ele em 2019, quando havia salários atrasados e dívidas com hospitais. Segundo o governador, o Estado possui mais de R$ 12 bilhões em recursos vinculados, além da previsão de saldo positivo em recursos livres no encerramento do mandato.
O governador também questionou quais despesas a futura administração pretende reduzir, lembrando que aliados de Zucco defenderam medidas de diminuição da arrecadação estadual, incluindo mudanças tributárias.
Divergência bilionária no orçamento
O debate ganhou força diante das diferenças nas projeções para as contas estaduais. Enquanto o governo Leite estima déficit de R$ 4,8 bilhões em 2027, Branchieri considera que o resultado negativo poderá chegar a R$ 7 bilhões, caso determinados riscos fiscais se confirmem.
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Durante audiência pública na Assembleia Legislativa, a secretária estadual da Fazenda, Pricilla Santana, rejeitou a possibilidade de atraso salarial e afirmou que o fluxo de arrecadação permite manter os compromissos com servidores e fornecedores.
Branchieri, por sua vez, reafirmou o compromisso da futura gestão com o pagamento integral dos salários, embora tenha defendido cautela diante do cenário fiscal.
A discussão ocorre durante a transição de governo e reacende a preocupação do funcionalismo gaúcho, que enfrentou 57 meses de parcelamento de salários até novembro de 2020.
A proposta orçamentária de 2027 deve ser analisada pela Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa em 19 de novembro, com votação em plenário prevista para o dia 24.








