Agro

Érico Ribeiro, o “Rei do Arroz”, morre aos 90 anos no Rio Grande do Sul

O empresário e ex-deputado Érico da Silva Ribeiro, conhecido como “Rei do Arroz”, morreu aos 90 anos no domingo, 27 de setembro, em Pelotas. Ligado durante décadas ao agronegócio gaúcho, ele também teve atuação em entidades empresariais e na política.

Ribeiro estava internado na UTI do Hospital Unimed, em Pelotas. Conforme informações divulgadas pela família, sofreu duas paradas cardíacas e posteriormente um infarto.

Nascido em Camaquã, em dezembro de 1935, Érico era formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mas construiu a maior parte da trajetória profissional no meio rural.

Projeção na produção de arroz

Foi principalmente na produção de arroz que Érico ganhou projeção no Rio Grande do Sul e no país. Durante os anos 1990, seus empreendimentos rurais alcançaram grandes extensões e elevados volumes de produção.

Em 1995, reportagem da Folha de S.Paulo o apresentou como o maior produtor individual de arroz do mundo. Naquele período, o Grupo Extremo Sul, comandado pelo empresário, reunia mais de 20 empresas, com atividades no Rio Grande do Sul, em outras regiões brasileiras e no Uruguai.

A dimensão dos negócios consolidou o apelido de “Rei do Arroz”, pelo qual ficou conhecido no setor.

Érico também teve participação na Cooperativa Arrozeira Extremo Sul e esteve associado durante anos à marca Arroz Rei do Sul.

Sua atuação empresarial incluiu ainda a participação em entidades representativas. Foi presidente do Centro das Indústrias de Pelotas e ocupou cargos de vice-presidente no Ciergs e na Fiergs.

Da atividade empresarial à política

A trajetória política começou antes da conquista de um mandato eletivo. Érico disputou a Prefeitura de Pelotas em 1992 e, em 1994, integrou como candidato a vice-governador a chapa liderada por Celso Bernardi.

Em 1998, foi eleito deputado estadual com 74.587 votos. Quatro anos depois, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados, recebendo 87.298 votos.

Exerceu o mandato federal entre 2003 e 2007, com atuação em temas relacionados principalmente à agricultura, infraestrutura, trabalho e desenvolvimento regional.

Durante a passagem por Brasília, seu nome apareceu nas investigações da chamada Máfia dos Sanguessugas, relacionada ao uso de recursos públicos para aquisição de ambulâncias. Ribeiro negou participação em irregularidades.

Em 2006, foi absolvido pelo Conselho de Ética da Câmara. Posteriormente, foi condenado em primeira instância em uma ação de improbidade. A decisão foi reformada em 2013 pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que o absolveu por unanimidade diante da insuficiência de provas.

Reconhecimento nos últimos anos

Já afastado da vida pública, Érico voltou a receber uma homenagem ligada ao setor que marcou sua trajetória. Em dezembro de 2023, foi agraciado com o Troféu Solução, concedido pela Comissão do Arroz da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

Na mesma ocasião, também foram homenageados o filho Fernando Schild Ribeiro e o neto Lauro Soares Ribeiro, reunindo três gerações da família ligadas à atividade rural.

Érico teve com a primeira esposa, Marilda, já falecida, os filhos Luciana, Fernando e Cristina, além de seis netos. Posteriormente, foi casado com Maria do Carmo.

O velório e o sepultamento ocorreram no domingo, no Memorial Pelotas Cemitério Parque, em Capão do Leão. Após a morte, a Prefeitura de Pelotas decretou luto oficial de três dias.

Botão Voltar ao topo