Terras raras colocam o RS no radar da indústria mundial

O Rio Grande do Sul começa a ganhar espaço no mapa brasileiro das pesquisas por terras raras, minerais considerados estratégicos para setores que vão da indústria automobilística à geração de energia e à fabricação de equipamentos de alta tecnologia.
Estudos desenvolvidos por universidades gaúchas indicam a presença de formações geológicas com potencial para concentrar esses elementos em diferentes pontos do Estado.
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apontam Porto Alegre e áreas próximas como regiões que merecem investigação mais detalhada. No Sul do Estado, trabalhos envolvendo UFSM, UFRGS e Unipampa estudam especialmente áreas de Caçapava do Sul, Lavras do Sul e Bagé.
Uma das atenções está voltada aos chamados carbonatitos, tipos de rocha que podem apresentar concentrações de elementos de terras raras.
Em Caçapava do Sul, pesquisas iniciadas em 2022 analisam amostras de rochas, solos, águas e outros materiais para compreender onde esses elementos estão concentrados e em quais quantidades.
Descoberta ainda não significa exploração
Apesar do potencial geológico, os estudos ainda estão em fase de pesquisa.
Encontrar terras raras em determinada região não significa que exista uma mina pronta para ser explorada.
Para que uma ocorrência mineral possa se transformar em uma jazida economicamente aproveitável, é necessário conhecer o volume disponível, a concentração dos elementos, a profundidade em que estão localizados e os custos envolvidos na extração e no processamento.
Também entram nessa avaliação questões ambientais, tecnológicas e econômicas.
Por isso, os pesquisadores trabalham agora para descobrir se as concentrações encontradas possuem quantidade e qualidade suficientes para justificar novos investimentos em pesquisa mineral.
O que são terras raras?
Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente raros na natureza. A dificuldade está em encontrá-los em concentrações que permitam uma exploração economicamente viável.
O grupo reúne 17 elementos químicos com características importantes para a indústria moderna.
Eles são utilizados, por exemplo, na fabricação de:
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carros elétricos;
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turbinas de energia eólica;
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celulares e computadores;
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motores e equipamentos industriais;
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ímãs de alto desempenho;
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tecnologias aeroespaciais;
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equipamentos utilizados na área de defesa.
Mercado estratégico
A procura mundial por esses minerais cresceu com a expansão das energias renováveis, da eletrificação dos veículos e de novas tecnologias.
Além da existência dos minerais, outro ponto estratégico é a capacidade de processá-los e transformá-los em materiais utilizados pela indústria.
Por isso, diferentes países têm buscado novas fontes de fornecimento e alternativas para reduzir a dependência de poucos produtores internacionais.
Neste cenário, as pesquisas realizadas no Rio Grande do Sul ganham importância.
Ainda é cedo para falar em exploração comercial, mas os estudos poderão revelar se o Estado possui depósitos capazes de, no futuro, integrar uma cadeia mineral considerada cada vez mais estratégica para a economia e para a tecnologia mundial.






