Nesta semana completam-se 15 dias que a ponte, que liga Encantado e Muçum, para economizar roteiros, está interditada para todo e qualquer fluxo. De duas uma: não existe urgência ou não existe dinheiro para esta finalidade. As duas demonstram desinteresse por parte de quem tem a responsabilidade sobre a rodovia. Final de governo e a EGR parece agir como aquele técnico de uma partida de futebol, se fizéssemos uma analogia sobre um jogo em que o time está perdendo de 5 a 0, querendo que o árbitro encerre a partida. Imagino o presidente da estatal, Luiz Fernando Vanacôr, erguendo as mãos e, de forma desesperada, gritando: “Termina, pelo amor de Deus”… Parece um termo chulo, grosseiro e de baixo valor para representar a grandeza do problema instalado e com impacto direto para uma região importante do estado, mas não consigo ver ações concretas para melhorar esse entendimento, infelizmente.
Claro
Quando o presidente da Empresa Gaúcha de Rodovias vem a público afirmando categoricamente que não pode “levantar as cancelas” do pedágio de Encantado, porque é este recurso que será utilizado na reconstrução do pilar comprometido, deixa transparecer o sinal claro de que perdeu a vergonha em dizer que a estatal está na míngua, se mantendo por aparelhos.
Sinais
O governo de Eduardo Leite impôs um ritmo de governança diferente das administrações anteriores. Gostem ou não, devolveu ao estado certas capacidades de investimentos que não tínhamos. Já falei e repito: antes dele, e aí pode voltar muitos anos, estávamos estagnados, acostumados a acompanhar o governo do Rio Grande do Sul, através do noticiário, renegociando dívidas, culpando quem de fato tinha culpa, renegociando inclusive salário dos servidores. Pois bem, mesmo com uma visão administrativa diferenciada, na política é preciso compor para conseguir governar. O nome que ocupou uma das mais importantes secretarias do governo, Logística e Transportes, demonstrou que não estava preparado para a função. Todos devem lembrar das incertezas que envolviam a construção da nova ponte entre Arroio do Meio e Lajeado. O tal secretário prometeu, falou, culpou a falta de mão de obra da região, se indispôs e não admitiu a falha do cronograma na construção da ponte que previamente havia anunciado. Muitas vezes foi preciso a participação direta do governador e do vice para gerenciar a crise ocasionada na construção de uma ponte que, mesmo tendo suas complexidades, seria uma obra relativamente pequena diante do tamanho do estado.
Desmonte
O próprio governo havia se programado no desmonte da EGR, pois o plano já estava em andamento para um novo formato de pedágios no estado, devolvendo à iniciativa privada, como se vem discutindo até hoje. Quando da ocorrência dos eventos em 2023 e 2024, foi necessário dar um suporte ao paciente, no caso a EGR, que já ocupava um estágio moribundo na estrutura governamental. Remendaram a roupa velha e assim permanece até hoje, que a cada esforço maior a vestimenta já esfarrapada se abre, mostrando até os fundilhos. Demonstração inequívoca dessa condição é admitir que precisa dos valores de um pedágio ultrapassado, que notadamente não cumpre sua função, para conseguir reformar uma ponte de um pilar, de um pequeno rio, numa região que carece de representatividade. É isso.
Movimento
Prefeitos da região da AMAT estão tentando encontrar uma solução viável aos moradores de Encantado e Muçum, de forma emergencial, para que consigam passar de um lado ao outro do rio com segurança. Deve iniciar nos próximos dias a passagem que será feita por balsa, que já foi contratada. Os dois municípios estão trabalhando com as máquinas, na preparação do terreno, para facilitar a chegada ao local. Essa passagem será exclusivamente aos pedestres. Conforme informações da Prefeitura de Encantado, a parte de licenças necessárias para esse serviço já está pronta.
Cronograma
A EGR prometeu para essa quarta-feira a apresentação do laudo realizado no pilar comprometido da ponte sobre o Rio Guaporé, na ERS-129. O prefeito Jonas Calvi esteve na capital para acompanhar esse trabalho. Até o fechamento desta coluna, a EGR não havia se pronunciado.
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Câmara
O assunto principal na sessão desta semana da Câmara de Encantado foi a ponte, ou melhor, todos os problemas que estão ocorrendo pela interdição desta ponte que liga a parte alta do Vale. Debateram, discutiram e se confrontaram.
Avisei
Vereadores da bancada do PP, na Câmara de Encantado, informaram que ainda no mês de abril deste ano haviam oficializado problemas na estrutura da ponte sobre o Rio Guaporé. Na sessão desta semana, a vereadora Aline Ganassini foi à tribuna e, entre os assuntos, falou sobre o protocolo do pedido de vistoria na ponte. Aline, que é líder do governo, endereçou de forma sutil, ao PP, que o importante não era discutir quem protocolou e sim encontrar uma solução para o problema. Nesse instante o vereador Diego Pretto pediu um aparte e não foi atendido, já que a vereadora Aline encerrou seu tempo de fala. O vereador, que pareceu inconformado, continuou falando, inclusive se exaltando ao ponto de textualmente se dirigir assim: “Senhora vereadora, a senhora está desconstruindo uma verdade, a senhora não está falando a verdade”. Mesmo com o presidente da Casa retomando os trabalhos, o vereador Diego continuou e, de forma pouco delicada, completou: “A senhora não tem credibilidade para falar…”, não conseguindo completar porque Leonardo Lorenzi, de forma educada, disse a ele que teria seu espaço de tribuna para falar. Climão.
Ordem
No final da sessão, quando o presidente declarava o encerramento dos trabalhos no Legislativo de Encantado, o vereador Diego Pretto, mesmo com os microfones fechados, continuou demonstrando indignação, não se ouve o que diz. O presidente Lorenzi, até então tranquilo na condução dos trabalhos, subiu o tom: “O senhor não está autorizado a falar, não é a primeira vez que o senhor se pronuncia sem ser… o senhor não está autorizado a falar, peço que o senhor mantenha a ordem e o respeito”. Na sequência, o presidente Leonardo encerrou a sessão.
Providências
O vereador Diego Pretto, durante seu tempo de tribuna, informou que em outubro de 2025 fizeram um pedido sobre as condições da passarela, que usa a estrutura da ponte do Rio Guaporé, e depois novo pedido em abril para saber da estrutura da ponte. Ao que se sabe, os pedidos foram endereçados para a Prefeitura de Encantado. Conforme a administração, os pedidos de providência ao Executivo ocorreram em abril e um anterior em dezembro. Em janeiro de 2026, a equipe técnica do município acompanhou o engenheiro Marcos Bastiani, que produziu um laudo técnico da estrutura da passarela.
Frase
A razão é extraordinária para explicar a vida, mas insuficiente para substituí-la
Minha
Publicado na edição impressa nº 2170, de 06/08/2026.









