Comoção social

Atualizado em 12/10/2026 às 20h046 min de leitura

Existem acontecimentos tão marcantes, que não pertencem apenas a quem os vive diretamente, atravessando a família, a escola, a rua, um bairro, uma cidade inteira. Dores que de tão grandes, rompem a fronteira do privado e se tornam coletivas, e é quando surge aquilo que chamamos de comoção social.

Nós nos entristecemos juntos, nos indignamos juntos, comentamos, compartilhamos, procuramos explicações querendo entender como algo tão grave pôde acontecer tão perto de nós, ou como continua acontecendo tantas vezes ao nosso redor.

A comoção tem importância principalmente pela solidariedade, revelando que somos capazes de ser tocados pela dor do outro. Que determinados acontecimentos ainda rompem a normalidade e despertam em nós a percepção de que alguma coisa precisa mudar.

Mas o que se faz com tantos sentimentos quando outros acontecimentos disputam nossa atenção e acabamos nos protegendo na rotina e corremos o risco de lenta e silenciosamente, ir silenciando tanto barulho, tanta revolta?

Penso que precisamos transformar todas essas emoções da comoção social em consciência coletiva, pois comoção não é transformação, indignação não é prevenção, e simplesmente compartilhar e comentar uma notícia (muitas vezes de forma desrespeitosa) não significa enfrentar as causas que permitiram que aquela realidade acontecesse.

A transformação começa quando conseguimos questionar o quanto precisamos fazer para que isso não continue acontecendo, e falo de responsabilidade individual e coletiva.

Responsabilidade das famílias, das instituições, das comunidades, dos poderes públicos, das escolas, das empresas, das redes de proteção e de cada um de nós, respeitados evidentemente, as diferentes atribuições de cada um.

Trago em questão, problemas sociais que não nascem no dia em que ganham repercussão. Antes do acontecimento extremo, muitas vezes existe uma longa história construída por sinais, comportamentos, silêncios, omissões, naturalizações e pedidos de ajuda que talvez não tenham encontrado escuta suficiente, e não estou falando em um caso específico, é o que normalmente acontece em casos de comoção social.

Precisamos aprender a olhar também para aquilo que acontece antes da violência, antes da ruptura, antes da tragédia, criando espaços seguros de fala e acolhimento.

Uma sociedade que somente reage aos acontecimentos mais graves, estará sempre chegando depois. Uma sociedade comprometida com o cuidado precisa desenvolver capacidade de perceber, acolher, educar, proteger e agir também preventivamente, e isso exige ação concreta, pertencimento, permanência e responsabilidade. Exige continuar conversando e orientando quando o assunto deixar de ser tendência. Exige cobrar políticas públicas e fortalecer redes de proteção.

Exige ensinar nossas crianças e adolescentes sobre respeito, limites, responsabilidade, dignidade e principalmente, orientar e questionar comportamentos que durante muito tempo foram tratados como normais.

Exige de todos nós a escuta antes do julgamento, intervenção quando necessário, e também não transformar a dor alheia em banalidade, respeitando e honrando a história daqueles que foram atingidos, impedindo que sua história produza apenas tristeza. Que produza perguntas, aprendizado, mudança.

A comoção é humana e nos aproxima, lembrando que a dor do outro também pode nos alcançar de tal forma que descobrimos que ela pode nos transformar em apoio, solidariedade, responsabilidade, movimento, educação e prevenção.

O quanto queremos e podemos ser, diante daquilo que ainda podemos prevenir?

Existem acontecimentos tão marcantes, que não pertencem apenas a quem os vive diretamente, atravessando a família, a escola, a rua, um bairro, uma cidade inteira. Dores que de tão grandes, rompem a fronteira do privado e se tornam coletivas, e é quando surge aquilo que chamamos de comoção social.

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Nós nos entristecemos juntos, nos indignamos juntos, comentamos, compartilhamos, procuramos explicações querendo entender como algo tão grave pôde acontecer tão perto de nós, ou como continua acontecendo tantas vezes ao nosso redor.

A comoção tem importância principalmente pela solidariedade, revelando que somos capazes de ser tocados pela dor do outro. Que determinados acontecimentos ainda rompem a normalidade e despertam em nós a percepção de que alguma coisa precisa mudar.

Mas o que se faz com tantos sentimentos quando outros acontecimentos disputam nossa atenção e acabamos nos protegendo na rotina e corremos o risco de lenta e silenciosamente, ir silenciando tanto barulho, tanta revolta?

Penso que precisamos transformar todas essas emoções da comoção social em consciência coletiva, pois comoção não é transformação, indignação não é prevenção, e simplesmente compartilhar e comentar uma notícia (muitas vezes de forma desrespeitosa) não significa enfrentar as causas que permitiram que aquela realidade acontecesse.

A transformação começa quando conseguimos questionar o quanto precisamos fazer para que isso não continue acontecendo, e falo de responsabilidade individual e coletiva.

Responsabilidade das famílias, das instituições, das comunidades, dos poderes públicos, das escolas, das empresas, das redes de proteção e de cada um de nós, respeitados evidentemente, as diferentes atribuições de cada um.

Trago em questão, problemas sociais que não nascem no dia em que ganham repercussão. Antes do acontecimento extremo, muitas vezes existe uma longa história construída por sinais, comportamentos, silêncios, omissões, naturalizações e pedidos de ajuda que talvez não tenham encontrado escuta suficiente, e não estou falando em um caso específico, é o que normalmente acontece em casos de comoção social.

Precisamos aprender a olhar também para aquilo que acontece antes da violência, antes da ruptura, antes da tragédia, criando espaços seguros de fala e acolhimento.

Uma sociedade que somente reage aos acontecimentos mais graves, estará sempre chegando depois. Uma sociedade comprometida com o cuidado precisa desenvolver capacidade de perceber, acolher, educar, proteger e agir também preventivamente, e isso exige ação concreta, pertencimento, permanência e responsabilidade. Exige continuar conversando e orientando quando o assunto deixar de ser tendência. Exige cobrar políticas públicas e fortalecer redes de proteção.

Exige ensinar nossas crianças e adolescentes sobre respeito, limites, responsabilidade, dignidade e principalmente, orientar e questionar comportamentos que durante muito tempo foram tratados como normais.

Exige de todos nós a escuta antes do julgamento, intervenção quando necessário, e também não transformar a dor alheia em banalidade, respeitando e honrando a história daqueles que foram atingidos, impedindo que sua história produza apenas tristeza. Que produza perguntas, aprendizado, mudança.

A comoção é humana e nos aproxima, lembrando que a dor do outro também pode nos alcançar de tal forma que descobrimos que ela pode nos transformar em apoio, solidariedade, responsabilidade, movimento, educação e prevenção.

O quanto queremos e podemos ser, diante daquilo que ainda podemos prevenir?

Publicado na edição impressa nº 2172, de 20/08/2026.

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