A proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 dividem opiniões sobre seus impactos na rotina dos trabalhadores e no funcionamento das empresas. O debate envolve a possibilidade de ampliar o tempo de descanso e a convivência familiar, mas também levanta preocupações com custos, manutenção dos empregos e organização das atividades econômicas. Representantes do setor empresarial e sindical apontam benefícios e desafios que precisam ser considerados na discussão.
Entre os aspectos apresentados estão as diferenças entre os setores econômicos e a necessidade de avaliar como uma nova jornada poderia ser organizada. Enquanto a representação empresarial pede atenção à capacidade de adaptação dos negócios, a manifestação sindical destaca os ganhos que um período maior de descanso poderia proporcionar aos trabalhadores. As duas posições também reconhecem a necessidade de discutir os efeitos sobre a produção e os custos das empresas.
Realidade empresarial
A presidente da Associação Comercial e Industrial de Encantado (ACI-E), Raquel Cadore, defende que a discussão seja conduzida com responsabilidade, considerando as diferentes realidades das empresas. Segundo ela, comércio, indústria, turismo e serviços possuem necessidades específicas, que precisam ser levadas em conta na avaliação dos efeitos de uma nova jornada.
Essa diversidade, na avaliação da dirigente, exige atenção à maneira como cada atividade organiza seus horários e distribui o trabalho entre as equipes. A redução da jornada envolve, portanto, uma análise das condições de funcionamento das empresas e das adequações necessárias para manter suas atividades.
Na análise de Raquel, a diminuição das horas trabalhadas poderá exigir reorganização de equipes, novas contratações e ajustes financeiros. A necessidade de manter as atividades com uma jornada individual menor está entre os pontos que preocupam a representação empresarial.
Essas mudanças representam um desafio especialmente para as micro e pequenas empresas, que precisarão conciliar os ajustes com a manutenção de suas operações. A preocupação apresentada pela dirigente envolve a capacidade desses negócios de absorver eventuais despesas adicionais sem comprometer sua sustentabilidade.
Raquel ressalta que a valorização dos trabalhadores e a sustentabilidade dos negócios não devem ser tratadas como interesses opostos. Para a entidade, a discussão precisa considerar tanto as condições de trabalho quanto a capacidade das empresas de preservar empregos e manter sua competitividade.
Nesse sentido, a posição da ACI-E é de que a análise dos benefícios da redução da jornada seja acompanhada da avaliação de seus efeitos econômicos e operacionais. A preservação dos postos de trabalho aparece entre as prioridades da entidade, assim como a continuidade das atividades empresariais.
A associação também busca reunir informações técnicas para orientar os empresários sobre os possíveis efeitos da redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial. O objetivo é oferecer subsídios para que o setor compreenda as mudanças em discussão e avalie suas repercussões na organização das empresas.
O levantamento dessas informações pretende dar suporte à avaliação dos ajustes que poderão ser necessários. Entre os aspectos apontados por Raquel estão a distribuição das horas de trabalho, a composição das equipes e as condições financeiras para uma eventual adaptação.
Papel dos sindicatos
Já o representante do Sindicato da Alimentação, Jovani Roveda, destaca os benefícios de dois dias consecutivos de descanso. Para ele, esse período permitiria ampliar a convivência familiar, aproveitar momentos de lazer e realizar atividades pessoais que acabam limitadas pela rotina profissional.
A possibilidade de contar com mais tempo fora do ambiente de trabalho é o principal benefício ressaltado pelo representante sindical. Em sua avaliação, o descanso ampliado abriria espaço para compromissos e experiências pessoais que precisam ser conciliados com as exigências do emprego.
Roveda avalia que a escala atual reduz o tempo disponível fora do trabalho, provocando a sensação de “viver para trabalhar”. Sua posição favorável à ampliação do descanso está ligada à possibilidade de o trabalhador ter mais espaço na semana para a família e para os próprios compromissos.
Receba as principais do dia no WhatsApp
Sem spam. Você sai quando quiser.
Ao defender dois dias consecutivos de folga, ele destaca a importância de um período que possa ser dedicado à vida pessoal. A convivência familiar e o lazer, em sua manifestação, fazem parte dos aspectos que devem ser considerados na discussão sobre a organização da jornada.
O representante sindical reconhece, porém, que a mudança poderá elevar os custos operacionais das empresas e exigir contratações para manter as atividades. Também considera a possibilidade de que parte dessas despesas seja repassada aos consumidores.
Sua avaliação reúne, assim, a defesa dos benefícios para os trabalhadores e o reconhecimento dos desafios de adaptação das empresas. A manutenção da produção diante de uma jornada menor é um dos pontos que, segundo ele, precisarão ser discutidos nas negociações.
Diante desse cenário, Roveda entende que os sindicatos terão papel fundamental nas negociações coletivas. Para ele, será necessário assegurar os direitos dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, discutir as condições para a continuidade das atividades produtivas diante de uma eventual redução da jornada.
As manifestações mostram que a discussão envolve tanto o tempo dedicado ao trabalho quanto as condições para reorganizá-lo. Entre a ampliação do descanso defendida pela representação sindical e as preocupações econômicas apresentadas pela ACI-E, permanecem em debate os caminhos para conciliar a valorização dos trabalhadores, a preservação dos empregos e a sustentabilidade das empresas.
SAIBA MAIS
Mudança será gradual e sem redução salarial
O fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso começará a ser implementado em 16 de dezembro. Promulgada em outubro, a Emenda Constitucional nº 141/2026 estabelece duas folgas semanais remuneradas e redução gradual da jornada, sem corte salarial. A mudança também alcança contratos em vigor. planalto.gov.br
Na primeira etapa, a jornada máxima passará de 44 para 42 horas semanais. Em dezembro de 2027, será reduzida para 40 horas. Empresas com jornadas entre 41 e 42 horas poderão mantê-las inicialmente, mas precisarão se adequar ao limite final.
Quem já trabalha 40 horas ou menos não terá redução proporcional, devendo observar as novas regras de descanso. Dito isso pois a maior parte dos escritorios, prestadores de serviço entre outros, já pratica a escala aprovada, pois esses não tem expediente aos sábados.)
Folgas e escalas diferenciadas
Um dos dias de descanso deverá ocorrer preferencialmente aos domingos. Excepcionalmente, acordos ou convenções coletivas poderão distribuir as folgas dentro do mês, preservando a média de dois dias semanais e ao menos um descanso por semana. Portanto, a mudança não significa necessariamente folga aos sábados e domingos.
Escala extinta
A escala 12×36 não foi expressamente extinta. Sua manutenção e eventuais ajustes deverão ser avaliados conforme as novas disposições e as normas coletivas de cada categoria.
As empresas precisarão revisar horários, escalas e instrumentos coletivos para cumprir a transição. O comunicado contábil orienta que essa avaliação seja feita com o departamento pessoal, considerando a jornada atualmente praticada e as particularidades de cada atividade.










