Operação leite compensado

Justiça condena 15 pessoas por adulteração de leite com produtos químicos no RS

Esquema envolvia uso de soda cáustica, falsificação de registros e reaproveitamento de alimentos impróprios; entre os condenados está o “mago do leite”, investigado anteriormente por fraudes no Vale do Taquari

Silas Santos4 min de leitura

A Justiça do Rio Grande do Sul condenou 15 pessoas por envolvimento em um esquema de adulteração de produtos lácteos fabricados pela indústria Dielat, localizada em Taquara. A sentença, assinada em 13 de outubro, é resultado da Operação Leite Compensado 13, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) em dezembro de 2024.

Todos os réus foram condenados por associação criminosa, sendo que 13 também receberam condenações por adulteração de produtos alimentícios. As penas variam conforme a participação de cada envolvido no esquema.

O proprietário da indústria, Antônio Ricardo Colombo Sader, e o diretor industrial, Tales Bardo Laurindo, receberam as maiores penas: 13 anos e quatro meses de prisão, em regime inicial fechado.

Entre os condenados também está o químico industrial Sérgio Alberto Seewald, conhecido como “mago do leite” ou “alquimista”, que recebeu pena de 11 anos e um mês de prisão, igualmente em regime inicial fechado. Ele já havia sido investigado por fraudes envolvendo uma indústria de laticínios de Imigrante, no Vale do Taquari, durante outra fase da operação, em 2014.

Produtos químicos eram usados para adulterar o leite

Conforme as investigações, o grupo utilizava soda cáustica para corrigir artificialmente a acidez do leite e peróxido de hidrogênio, conhecido como água oxigenada, para interferir na conservação do produto.

Para ocultar a utilização dessas substâncias, os envolvidos adotavam códigos internos. A soda cáustica era identificada como “vitamina”, enquanto o peróxido de hidrogênio recebia a denominação de “lactose”.

A sentença também aponta a falsificação de registros apresentados aos órgãos de fiscalização e o reaproveitamento de produtos vencidos, deteriorados ou considerados impróprios para consumo.

Durante a investigação, foram encontradas mais de 800 toneladas de mercadorias armazenadas em depósitos clandestinos, com diferentes irregularidades. Parte desses produtos retornava à indústria para ser reaproveitada na fabricação de alimentos.

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Condenado tem histórico de fraudes no Vale do Taquari

Sérgio Alberto Seewald já havia sido alvo da Operação Leite Compensado V, deflagrada em maio de 2014, que investigou irregularidades na produção de laticínios em municípios dos vales do Taquari e do Sinos, incluindo uma indústria localizada em Imigrante.

Em novembro de 2025, ele foi condenado a 11 anos e oito meses de prisão em um processo relacionado àquela investigação.

A nova condenação, de 11 anos e um mês, refere-se ao esquema envolvendo a Dielat, em Taquara. As decisões pertencem a processos distintos e não devem ser confundidas.

Justiça determina destruição dos produtos apreendidos

Além das penas de prisão, a decisão judicial determinou a destruição dos produtos lácteos, matérias-primas e demais substâncias alimentícias apreendidos durante as investigações e armazenados em depósitos vinculados às empresas investigadas.

A medida busca impedir que mercadorias com irregularidades retornem à cadeia de produção e comercialização de alimentos.

Até o momento, não há confirmação de que a sentença de 13 de outubro tenha transitado em julgado, o que significa que ainda pode ser objeto de recursos.

Fonte: Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e GaúchaZH.

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