Os discursos após a divulgação do resultado da eleição presidencial deste domingo (25) foram marcados por declarações sobre a atuação das plataformas digitais e a condução da votação. Reeleito presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a regulação das redes sociais, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que buscará na Justiça a anulação do pleito.
Lula venceu o segundo turno com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% de Flávio Bolsonaro. Os dois candidatos se pronunciaram após a confirmação do resultado, abordando temas distintos relacionados ao processo eleitoral.
Lula fala em interferência das plataformas digitais
No discurso da vitória, Lula afirmou que a eleição foi marcada por interferências externas por meio das plataformas digitais e defendeu a necessidade de regulamentação dessas empresas.
“Essa eleição foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais e nós vamos ter que regulá-las.”
O presidente também criticou grandes empresas de tecnologia, afirmando que elas movimentam bilhões, não pagam impostos e tentam influenciar resultados eleitorais.
A regulação das redes sociais já havia sido defendida por Lula durante a campanha. No pronunciamento deste domingo, ele voltou ao assunto, mas não apresentou detalhes sobre eventuais medidas.
Flávio Bolsonaro diz que pedirá anulação da eleição
Em seu pronunciamento após a derrota, Flávio Bolsonaro anunciou que pretende contestar judicialmente o resultado, alegando irregularidades na condução do segundo turno.
“É impossível aceitar os resultados das eleições no contexto como as coisas aconteceram. Nós vamos usar o canal jurídico e pedir a anulação dessas eleições.”
O principal argumento apresentado pelo senador foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação das 17h para as 19h em todo o país.
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Flávio afirmou que a determinação alterou as regras durante a votação e provocou uma quebra de isonomia entre os candidatos. Ele também questionou o fato de a decisão ter sido tomada por um ministro que não integra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Prorrogação do horário gerou questionamentos
A extensão do período de votação ocorreu após pedidos relacionados a dificuldades de deslocamento dos eleitores.
A campanha de Lula havia apontado problemas no transporte público em cidades como Salvador e São Paulo. Já a equipe de Flávio Bolsonaro também solicitou a prorrogação em razão das chuvas que afetaram municípios do Sul do país.
Como o TSE não decidiu os pedidos a tempo, Zanin concedeu uma liminar determinando a ampliação do horário em todo o território nacional.
Especialistas ouvidos pela imprensa consideram remota a possibilidade de anulação integral da eleição, especialmente diante da diferença de aproximadamente 4 milhões de votos entre os candidatos.
O anúncio de Flávio Bolsonaro não altera, por si só, o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.









