Política

Campanha de Lula pede ao TSE retirada de vídeo de Flávio e multa de R$ 240 mil

A coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra uma propaganda do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A representação foi apresentada na noite de segunda-feira (21) e está sob relatoria do ministro André Mendonça.

O processo questiona um vídeo publicado nos perfis de Flávio Bolsonaro no Facebook e Instagram sobre o preço dos alimentos. Segundo a coligação, a peça reúne declarações de Lula feitas em momentos diferentes e cria uma interpretação descontextualizada sobre a posição do presidente diante da alta da carne.

No vídeo, uma declaração de 14 de março de 2025, em que Lula dizia que o preço da carne cairia e que os brasileiros voltariam a comer picanha, aparece como “expectativa”. Na sequência, uma fala feita em Porto Alegre em 11 de setembro de 2026 é apresentada como “realidade”. Nela, Lula comenta o aumento do custo de vida e menciona que, na falta de carne, as pessoas comem ovos.

A campanha de Lula afirma que o segundo trecho foi recortado de forma a alterar o sentido da declaração. No discurso completo, o presidente também reconheceu que carne, café e outros alimentos estavam caros e afirmou que sua preocupação era elevar o poder de compra da população por meio da valorização do salário mínimo. A alegação de descontextualização ainda será analisada pela Justiça Eleitoral.

R$ 105 mil em impulsionamento

Outro ponto da representação envolve a divulgação paga do vídeo. Conforme documentos apresentados pela coligação, quatro versões do anúncio foram impulsionadas no Facebook e Instagram entre 13 e 18 de setembro.

Os valores apontados são de R$ 35 mil em cada uma das duas primeiras versões, R$ 15 mil na terceira e R$ 20 mil na quarta, totalizando R$ 105 mil. A ação afirma que as publicações alcançaram mais de 1 milhão de contas.

A legislação eleitoral permite o impulsionamento pago para promover ou beneficiar a própria candidatura, partido ou federação, mas veda seu uso para propaganda negativa contra adversários. A regra consta na Resolução nº 23.610/2019 do TSE, atualizada para as eleições de 2026.

Campanha pede R$ 240 mil em multas

Além da retirada do conteúdo e da proibição de novos impulsionamentos de materiais semelhantes, a coligação pede a aplicação de R$ 240 mil em multas. Desse total, R$ 30 mil seriam pela alegada propaganda ofensiva e R$ 210 mil pelo impulsionamento questionado — valor equivalente ao dobro dos R$ 105 mil gastos, conforme o pedido apresentado ao tribunal.

Até a atualização desta matéria, não havia decisão pública do relator sobre o pedido de retirada imediata das postagens. A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada por veículos que divulgaram o caso e não havia apresentado manifestação nas reportagens consultadas.

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