Violência extrema na internet acende alerta sobre crianças e adolescentes

Dados da TIC Kids Online Brasil 2025, divulgados em 2026 pelo Cetic.br, mostram que 92% dos brasileiros entre 9 e 17 anos usam a internet, cerca de 24 milhões de crianças e adolescentes. Na Região Sul, o índice chega a 96%.
A maior exposição às telas ganhou força durante a pandemia. Pesquisa da Fiocruz, UFMG e Unicamp, com 9.470 adolescentes, mostrou que mais de 60% permaneciam mais de quatro horas por dia diante das telas apenas para lazer, além das aulas. Entre os jovens de 16 e 17 anos, o percentual chegou a 70%.
O levantamento também apontou preocupação, nervosismo ou mau humor frequentes em 48,7% dos entrevistados e dificuldade de concentração nas aulas a distância em 59%.
FBI alerta para abordagem de jovens vulneráveis
O problema também é acompanhado por autoridades internacionais.
Segundo o FBI, redes de violência extrema procuram principalmente crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis em redes sociais, aplicativos e outros espaços digitais. O contato pode começar com uma aproximação aparentemente comum e evoluir para manipulação, ameaças e chantagem.
A agência norte-americana alerta que vítimas podem ser pressionadas a praticar atos contra si mesmas ou contra outras pessoas. Em 2026, o FBI informou investigar mais de 500 pessoas relacionadas a redes desse tipo nos Estados Unidos.
Quase 98% dos suspeitos no RS são menores
No Rio Grande do Sul, o Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (Nupve), do Ministério Público, havia analisado 263 eventos até 12 de agosto de 2026. Destes, 207 foram confirmados ou permaneciam em avaliação e 56 foram descartados.
Entre os 188 suspeitos identificados, 184 eram menores de 18 anos, o equivalente a 97,87%.
Em todo o ano de 2025, o núcleo analisou 491 eventos, contra 158 em 2024. Os números de 2026 ainda são parciais e, por isso, não permitem afirmar que o total deste ano já tenha superado o anterior.
Os casos acompanhados pelo Ministério Público neste ano chegaram a 126 municípios gaúchos.
Em agosto, o MPRS criou a Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência Extrema e ECA Digital (Proeve), conduzida pelos promotores Leonardo Rossi e Rodrigo Mendonça.
Vale do Taquari não tem levantamento específico
Até setembro de 2026, não há dados públicos indicando quantos casos de aliciamento, chantagem, ameaça ou incentivo à violência extrema pela internet foram registrados especificamente no Vale do Taquari.
A região, porém, possui indicadores importantes relacionados à saúde mental. Pesquisa da Univates, divulgada em maio deste ano, analisou 170 pessoas, sendo 119 com histórico de tentativa ou pensamento suicida. O estudo encontrou relação com fatores como desesperança, impulsividade e traumas vividos na infância.
Outro levantamento da Universidade, realizado com 327 moradores de 20 municípios durante a pandemia, identificou sintomas depressivos de moderados a graves em 41,6% dos participantes e sintomas de ansiedade de moderados a graves em 45,9%.
Os dados não permitem relacionar diretamente esses problemas ao uso da internet ou à violência extrema, mas reforçam a importância do acompanhamento da saúde emocional.
Sinais exigem atenção
Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, queda no rendimento escolar, alterações no sono, medo após utilizar o celular, preocupação excessiva com mensagens, automutilação ou interesse crescente por conteúdos violentos podem indicar que algo está errado.
Nenhum desses sinais, sozinho, comprova que o jovem esteja sendo manipulado. A orientação é manter o diálogo e observar mudanças persistentes.
Em caso de ameaça, chantagem ou suspeita de crime, a orientação é procurar a Polícia Civil. Situações de risco imediato devem ser comunicadas pelo 190. O Conselho Tutelar e o Disque 100 também podem ser acionados.
No Rio Grande do Sul, denúncias relacionadas à violência extrema podem ser encaminhadas ao Nupve pelo telefone (51) 3295-1408 ou pelo e-mail [email protected].
O alerta em 2026 vai além do tempo de tela. Para famílias e escolas, o desafio também é acompanhar com quem crianças e adolescentes conversam, o que consomem na internet e como essas relações estão afetando seu comportamento.






