Saúde

Hipertensão invisível: cerca de 29 mil moradores do Vale podem ter pressão alta sem saber

Quantas pessoas vivem no Vale do Taquari com pressão alta sem saber?

Não existe atualmente um levantamento epidemiológico específico capaz de responder com precisão essa pergunta para toda a região. Mas dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), combinados com a população regional estimada pelo IBGE, permitem dimensionar o problema.

A projeção indica que cerca de 29 mil moradores do Vale podem conviver com hipertensão ainda não diagnosticada.

O número não representa pacientes identificados. Trata-se de uma estimativa estatística, calculada a partir das taxas nacionais de hipertensão e diagnóstico.

Brasil tem 55,7 milhões de hipertensos

O Relatório Global de Hipertensão 2025 da OMS, com estimativas referentes a 2024, aponta que o Brasil possui aproximadamente 55,7 milhões de pessoas entre 30 e 79 anos com hipertensão.

A prevalência estimada nessa faixa etária é de 46%. Entre os hipertensos, cerca de 71% já receberam diagnóstico, o que significa que aproximadamente 29% ainda não sabem que apresentam a doença.

Em números absolutos, seriam cerca de 16 milhões de brasileiros com hipertensão sem diagnóstico.

No mundo, a OMS estima 1,4 bilhão de adultos hipertensos entre 30 e 79 anos, sendo que cerca de 600 milhões desconhecem a própria condição.

O que isso representaria no Vale

A estimativa populacional do IBGE para 2026 aponta 383.645 habitantes no recorte regional de 38 municípios utilizado na projeção.

Aplicando como referência a estrutura populacional considerada pela OMS, estima-se que aproximadamente 219 mil moradores estejam na faixa dos 30 aos 79 anos.

Se o Vale repetisse a prevalência brasileira de hipertensão, de 46%, haveria aproximadamente 101 mil hipertensos.

Aplicando sobre esse grupo a taxa de 29% de pessoas ainda não diagnosticadas, o resultado chega a aproximadamente:

29,2 mil moradores potencialmente convivendo com pressão alta sem saber.

A estimativa não significa que existam exatamente 29 mil casos desconhecidos na região. Para conhecer o número real seria necessário um estudo epidemiológico com amostra representativa, aferição padronizada da pressão e levantamento sobre diagnóstico e tratamento.

Doença pode não apresentar sintomas

A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia, destaca que a hipertensão é predominantemente assintomática.

Pelas recomendações brasileiras, é considerada hipertensa a pessoa que apresenta pressão em consultório igual ou superior a 140/90 mmHg, o chamado 14 por 9, confirmada adequadamente em ocasiões diferentes.

Por isso, uma única medição elevada não basta para confirmar o diagnóstico.

Exames como a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) também podem auxiliar na confirmação e no acompanhamento da doença.

RS já teve quase metade dos hipertensos sem saber

Um estudo populacional realizado no Rio Grande do Sul entre 1999 e 2000 avaliou 918 adultos e encontrou hipertensão em 33,7% dos participantes.

Entre aqueles classificados como hipertensos, 49,2% não sabiam que tinham a doença.

Por ser um levantamento de mais de duas décadas, o dado não pode ser aplicado à realidade atual do Vale, mas demonstra que o desconhecimento da hipertensão já foi expressivo no Estado.

O ELSA-Brasil, um dos principais estudos brasileiros sobre doenças crônicas, também identificou diferenças no conhecimento do diagnóstico: 84,8% das mulheres hipertensas sabiam da condição, contra 75,8% dos homens.

Envelhecimento pode pesar na realidade regional

Outro fator importante é a composição etária do Vale do Taquari.

Municípios da região apresentam elevados índices de envelhecimento, e a hipertensão se torna mais frequente com o avanço da idade. Por isso, a realidade regional pode diferir da média nacional utilizada na projeção.

Coqueiro Baixo, por exemplo, está entre os municípios gaúchos com maior envelhecimento populacional.

Região possui atendimento especializado

O Vale conta com serviços destinados ao acompanhamento da hipertensão.

A Sociedade Brasileira de Hipertensão registra em Lajeado uma Liga de Combate à Hipertensão Arterial.

Na Univates, o Centro Clínico mantém atendimento especializado e oferece exames como a MAPA. O serviço completou dez anos em 2026 e ultrapassou 128 mil atendimentos, abrangendo pacientes de dezenas de municípios dos Vales do Taquari e Rio Pardo.

O SUS também possui registros de hipertensos acompanhados pela Atenção Primária. Esses dados, porém, mostram principalmente quem já chegou ao sistema de saúde e não revelam, sozinhos, quantas pessoas permanecem sem diagnóstico.

O número que ainda não aparece nas estatísticas

É justamente essa população invisível que permanece desconhecida.

Quantos moradores do Vale têm pressão alta e ainda não sabem?

A resposta exata ainda não existe.

Mas, se a região reproduzir as taxas brasileiras apontadas pela OMS, esse contingente pode estar próximo de 29 mil pessoas.

Em uma doença que pode evoluir durante anos sem sinais evidentes, a orientação permanece fundamental: medir a pressão regularmente pode ser o primeiro passo para descobrir um problema antes que ele provoque consequências mais graves.

Botão Voltar ao topo