Perondi

Nolimar Perondi@nolimarperondi

Suinofest

Atualizado em 12/10/2026 às 23h568 min de leitura

Suinofest

A edição deste ano da Suinofest tem como novidade a retirada da sexta-feira e o aumento para três finais de semana. Para constar, em edições anteriores a festa ocorria em dois finais de semana, iniciando na sexta-feira. Na área externa, também ocorreram adequações. Pelo menos neste ano, não acontece a feira comercial, priorizando a área gastronômica, o artesanato e as agroindústrias. Como este é o primeiro ano nessa modelagem, observações estão sendo feitas e, no andar da “festa”, correções são realizadas.

Crítica

Na parte interna, ou seja, no ginásio onde acontece a gastronomia, já consolidada pela qualidade dos produtos oferecidos, notaram-se vazios nas mesas, que, num primeiro momento, davam a entender que havia diminuído a quantidade de alimentos, quando, na verdade, foi uma opção de aumento na metragem das respectivas mesas, e isso impactou o visual. Entendo que a festa gastronômica tem um custo alto, tanto para quem compra o ingresso, mas também para quem paga, no caso a Acie, responsável pela organização e detentora da marca “Suinofest”. Não posso afirmar se é o caso, porém, na iniciativa privada, o lucro faz parte do negócio. Sem este, elementar, qualquer negócio fica inviabilizado. Aí é que mora o grande perigo de se ouvirem fórmulas “inovadoras” para reduzir custos e aumentar o lucro. Caso isso seja realmente necessário, que seja feito de modo a não comprometer aquilo que se promete: uma experiência gastronômica inesquecível. Só para lembrar, a roda já foi inventada e, como já preconiza um dito popular: “Não se mexe em time que está ganhando”.

Externa

A reclamação na parte externa é de que o público visitante ficou aquém do esperado e, por consequência, os expositores não venderam. Sim, de fato, o público nesta parte onde não é cobrado ingresso foi menor do que em edições anteriores, pelo menos no primeiro final de semana. Não atribuo o desinteresse aos organizadores. Havia shows, parque de diversão para entreter a criançada, um local para o artesanato e as agroindústrias, sempre muito concorridas. Nesse caso, o que se pode fazer é mostrar à população local e regional esses atrativos e convidar para o comparecimento. Dentro do orçamento previsto para este ano, é isso que temos.

Rede

Nas redes sociais, a crítica sempre é mais fácil. Neste ambiente, existe um número impressionante de analistas que, invariavelmente, conceituam determinado evento a partir da sua visão, por vezes estreita e, em alguns casos, apenas para denegrir e lacrar, termo da moda. A festa gastronômica, apesar de ser de uma associação comercial e industrial do município, é de Encantado. Não consigo imaginar desassociar o salão gastronômico com ingresso pago da feira externa onde a entrada é gratuita. Uma complementa a outra. Se fosse apenas a valorização da área gastronômica, melhor investir em um restaurante de comida típica. Tenho certeza de que não é o propósito. Todos os envolvidos na organização pensam em fazer o melhor, e isso deveria estar no primeiro tópico quando a crítica se faz necessária.

Cancelado

O leilão do Bloco 2 de rodovias do Rio Grande do Sul foi cancelado pelo governo do Estado após não receber nenhuma proposta de empresas ou consórcios. O projeto previa a concessão de 409 quilômetros, que incluíam trechos das ERS 129/130 aqui na região, com investimentos estimados em R$ 6 bilhões ao longo de 30 anos.

Fato

Alguns fatores desmotivaram os investidores, conforme o governador Eduardo Leite: precificação apertada e, o principal, seria o ambiente político hostil, entre eles a CPI dos Pedágios na Assembleia Gaúcha, que investigou contratos e o modelo de pedágio.

Interesses

A CPI, instalada na Assembleia Gaúcha, teve uma união inusitada e estranha entre a esquerda e a direita. O presidente é Paparico Bacchi, do PL, e o relator, Miguel Rossetto, do PT. Acompanhando a dupla está o vice-presidente, Felipe Camozzato, do partido Novo. O vice-governador Gabriel Souza, que esteve em Encantado na semana passada participando da abertura oficial da Suinofest, classificou a articulação contrária ao modelo de concessão como uma “mistura de camelo com girafa”, para citar a aliança entre esses partidos. Essa inesperada união só tem um motivo, e não se trata do desenvolvimento da região, mas das eleições que se avizinham e seus interesses.

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Resultado

Quem espera um resultado importante na identificação de problemas no projeto de concessão das rodovias estaduais vai continuar esperando. Será como tantas: projetos políticos pessoais e partidários, sem nenhum ganho à população.

Euforia

O vereador Diego Pretto, usando a tribuna na sessão desta semana da Câmara de Encantado, estava eufórico com o cancelamento do leilão da concessão do Bloco 2. Disse que não soltou fogos de artifício para comemorar porque é proibido.

Perdemos

O prefeito de Encantado, Jonas Calvi, afirma que o resultado do cancelamento do leilão é uma perda para a região: “Perdemos grande oportunidade de termos reformas, ter obras, ter pista duplicada, principalmente de Encantado a Lajeado”. Citou também o ambiente político e narrativas criadas para desestimular o projeto, e também deu uma resposta ao vereador Diego Pretto: “Olha a que ponto que a gente chegou, tem algumas pessoas, alguns representantes da comunidade, vereadores de Encantado vibrando que não vão ter obras. Olha o absurdo que a gente chegou, imagina vibrar porque nós não vamos ter obras de viadutos, duplicação, acessos laterais. Absurdo que infelizmente essa politicagem de todo esse processo acabou vencendo através dessas narrativas que foram construídas”.

Pedágio

O modelo apresentado na concessão do Bloco 2 haveria a cobrança por quilômetro percorrido, cobrada através do free flow, pedágio eletrônico sem cancela. A ERS 129 e 130 são pedagiadas e ainda estão sendo administradas pela EGR. Pelo fato de ter sido cancelado o leilão, estas rodovias continuarão sob o domínio da Empresa Gaúcha de Rodovias, com o pedágio físico em Palmas e cobrança somente aos que cruzarem por ele, ou seja, maior custo para os encantadenses, além de causar filas e transtornos aos usuários, sem que a empresa tenha feito até agora sequer um metro de duplicação da via, quando muito um recapeamento de qualidade duvidosa. Importante lembrar também que o valor de R$ 5,20 cobrado atualmente só não foi corrigido por uma determinação judicial. Quando cair essa determinação, e isso deve acontecer, vamos pagar em torno de R$ 16,00, e nenhum outro usuário desta rodovia pagará pelo trecho usado. Em resumo, não teremos duplicação e nenhuma outra obra e continuaremos pagando o pedágio.

Promessas

A cada eleição, as mentiras se renovam. Na sessão desta semana da Câmara de Vereadores de Encantado, foi comentada a visita de um pré-candidato ao governo do Estado. Vereadores que defendem sua candidatura citaram os problemas com agendamento de consultas especializadas do SUS através do sistema Gercon. E também no gerenciamento, controle de ocupação e solicitações de internação hospitalar, através do Gerint. Conforme o que foi dito, caso eleito, esse pré-candidato utilizará outro sistema que funcione. A simplicidade como está sendo colocada parece ser apenas de vontade política e não de orçamento. Sabe-se que o orçamento estadual vai cair significativamente em 2027. O Projeto de LDO para o próximo ano do Rio Grande do Sul aponta déficit primário de R$ 4,8 bilhões e déficit orçamentário de R$ 4 bilhões. Então, mesmo que se torça para determinado candidato, é preciso responsabilidade.

Redução

Tenho pensado muito no número de vereadores por município. Encantado, por exemplo, com 23 mil habitantes, tem 11 vereadores. Cada vereador recebe R$ 7.201,44. Por outro lado, existe uma preocupação de que a nova reforma tributária pode levar ao fim de mais 50 municípios no Estado, porque não terão orçamento suficiente para se manter. Fico me perguntando por que manter 11 vereadores no Legislativo de um município com pouco mais de 20 mil habitantes? Esses vereadores têm seu maior compromisso em uma única reunião ordinária por semana. Para se ter uma ideia, na reunião desta semana, os vereadores de Encantado votaram três projetos, e todos sobre autorização de créditos especiais do Executivo. Quem acompanha o trabalho dos vereadores poderá verificar a produção legislativa. Sem desmerecimento pessoal, acredito que menos da metade do atual número daria conta do trabalho de representatividade, projetos e fiscalização. Somente de salários, caso diminuíssemos seis vereadores, teríamos uma economia, que poderia ser investida na saúde dos munícipes, por exemplo, de mais de R$ 2 milhões por legislatura.

Frase

A economia por si só é uma grande fonte de receitas.

Sêneca

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