Futuro das rodovias

Vale cobra mais recursos e prazo de três anos para duplicar rodovias

Reunião entre lideranças debateu a destinação de R$ 1,5 bilhão do Funrigs; proposta de reservar R$ 375 milhões para 2027 preocupa representantes da região

Fernanda5 min de leitura
Representantes do setor produtivo e do Vale do Taquari se reúnem com deputado eleito para discutir duplicação de rodovias.
Representantes do setor produtivo e do Vale do Taquari se reúnem com deputado eleito para discutir duplicação de rodovias.

O Vale do Taquari quer garantir que os recursos previstos para as rodovias se transformem em obras com prazo para começar e terminar. Essa foi a principal preocupação discutida na noite de terça-feira (20), em reunião com representantes do setor produtivo, associações, Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) e o deputado estadual eleito Roberto Lucchese (MDB). A mobilização busca assegurar investimentos para ampliar a capacidade das estradas e concluir as duplicações reivindicadas pela região em três anos.

Previsão de 1/4 do valor ao Bloco 2

O debate ocorre diante da proposta de destinar R$ 375 milhões, no orçamento estadual de 2027, às rodovias do Bloco 2. O valor representa um quarto dos R$ 1,5 bilhão previstos no Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) para esse conjunto de estradas. Para as lideranças regionais, o montante reservado ao primeiro ano precisa ser ampliado para acelerar as intervenções.

Além do ritmo das obras, preocupa o destino dos recursos ao longo dos próximos anos. A presidente do Codevat, Cíntia Agostini, defende o acompanhamento das decisões para assegurar que a verba destinada às rodovias atenda às necessidades do Vale.

Reunião com Leite e Zuco

A região pretende construir uma posição conjunta e buscar uma audiência com o governador Eduardo Leite e com o governador eleito, Luciano Zucco. A intenção é obter um compromisso que atravesse a troca de governo e estabeleça prioridades, recursos e um cronograma de execução.

Lucchese defende que o dinheiro seja aplicado em intervenções capazes de melhorar a circulação regional. O deputado eleito manifestou preocupação com a possibilidade de os valores serem distribuídos em pequenas obras pelo Estado, sem resolver os gargalos enfrentados pelo Vale. Também relacionou a reivindicação aos danos das enchentes e à necessidade de reconstrução da infraestrutura.

Divergência sobre o ritmo dos investimentos

A reserva de R$ 375 milhões consta na emenda nº 250/2026, apresentada pelo deputado Joel Wilhelm (PP). O texto direciona recursos já previstos no Funrigs para dois grupos de rodovias. Segundo o deputado Guilherme Pasin (PP), a divisão dos investimentos considera a capacidade do Estado de elaborar projetos, contratar empresas e fiscalizar os serviços. Na avaliação dele, a previsão orçamentária precisa acompanhar as condições de execução para que os recursos sejam efetivamente utilizados.

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Enquanto a mobilização regional defende concentrar as obras em três anos, nas discussões da Assembleia Legislativa aparece uma perspectiva de cinco anos, conforme o avanço dos projetos e das contratações.

Outro ponto de atenção é a finalidade descrita na emenda. O texto prevê conservação, reparação e recomposição da infraestrutura, sem mencionar expressamente duplicações ou indicar quais trechos receberão os investimentos. A ampliação da capacidade das rodovias permanece, portanto, como uma cobrança da região.

Três frentes prioritárias

As estimativas preliminares para três frentes de duplicação somam cerca de R$ 1,14 bilhão. O maior investimento seria na ligação entre Venâncio Aires e Arroio do Meio, com 43,1 quilômetros pelas rodovias RSC-453 e ERS-130 e custo estimado em R$ 610,5 milhões.

Arroio do Meio e Encantado

Entre Arroio do Meio e Encantado, a proposta contempla 13,6 quilômetros da ERS-130, com estimativa adicional de R$ 336 milhões. Já entre Teutônia e Fazenda Vilanova, são 16,3 quilômetros da ERS-128, orçados preliminarmente em R$ 189,4 milhões. Esses valores não incluem a ligação entre Estrela e Teutônia pela RSC-453. O trecho de 16,3 quilômetros segue em análise, com estudo prévio de orçamento.

O prefeito de Encantado, Jonas Calvi, destacou que um projeto já esta definido onde foi traçado trechos onde se faz necessário duplicação e outros apenas uma terceira via e que sim, a região precisa estar unida para garantir que isso aconteça, sem esquecer que neste trajeto entre Venâncio e Encantado, tem duas praças de pedágio.

A definição de quem executará as intervenções também está em discussão. EGR e Daer aparecem entre as alternativas, assim como a criação de um fundo vinculado à EGR. Para as lideranças, o próximo passo é transformar as demandas em um compromisso do Estado, com planejamento que permita avançar nas duplicações e dar previsibilidade à região.

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