Desconfio que o mundo anda precisando de umas boas risadas. Não dessas discretas, educadas, quase protocolares, mas daquelas que escapam sem pedir licença, fazem doer a barriga, lacrimejar os olhos e por alguns instantes, nos fazem esquecer até do motivo das preocupações.
Tenho uma admiração especial por quem consegue encontrar humor nas situações mais improváveis. Não por desconhecer a gravidade dos problemas, mas por compreender que nem tudo precisa ser carregado com tanto peso.
Estamos tão ocupados, tão preocupados em dar conta de tudo, que às vezes esquecemos como é divertido reconhecer nossos próprios absurdos. Perdemos um pouco da capacidade de rir de nós mesmos, e olha que motivos não faltam! Basta tentar sair de casa com pressa e procurar os óculos que estão na própria cabeça, ou procurar desesperadamente o celular enquanto conversamos por ele. Quem nunca?
Talvez estejamos exigindo demais de nós mesmos. Queremos manter a postura, controlar as situações e de preferência, não passar vergonha, uma missão praticamente impossível para quem é humano!
Claro que existem dores e momentos que merecem silêncio, respeito e acolhimento. Nem tudo é motivo de brincadeira, e o humor também exige sensibilidade, mas quando nasce do afeto, tem uma capacidade extraordinária de aproximar pessoas e aliviar tensões.
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Gosto de pensar que o bom humor é também uma forma de generosidade. Há pessoas que chegam e parecem tornar o ambiente mais leve, simplesmente oferecendo um sorriso, uma observação divertida, uma maneira diferente de olhar para aquilo que parecia tão complicado, e como faz bem estar perto de gente assim!
O humor também nos ensina um pouco de humildade, afinal ninguém é tão importante que não possa passar vergonha de vez em quando, nem tão perfeito que não tenha protagonizado alguma cena digna de comédia. Quanto menos necessidade de parecermos infalíveis, mais espaço abrimos para histórias engraçadas e risadas compartilhadas.
O humor não elimina os problemas, mas pode mudar a maneira como os enxergamos. Às vezes, aquilo que hoje nos tira o sono será justamente a história que contaremos entre gargalhadas daqui a algum tempo. A situação pode continuar a mesma, mas nosso olhar sobre ela já será outro.
A vida tem responsabilidades demais para que ainda precisemos abrir mão da leveza. Podemos ser comprometidos sem sermos excessivamente rígidos, responsáveis sem sermos sisudos, sensíveis sem perder a alegria.
Por isso, deixo um convite: tente lembrar da última vez em que você deu uma daquelas risadas gostosas, espontâneas, que contagiam quem está por perto. Consegue recordar o que sentiu no corpo, no coração e como ficou o ambiente ao seu redor?










