vivi um dos dias mais emocionantes nesses meus 29 anos acompanhando futebol. Pude assistir a uma virada histórica na Copa do Mundo, protagonizada pelo maior jogador que vi praticar esse esporte que tanto amo.
Lionel Messi, aos 39 anos, comandou uma vitória apoteótica da Argentina sobre o Egito nas oitavas de final da Copa do Mundo. A seleção argentina perdia por dois gols até os 79 minutos. Em apenas quatro minutos, buscou o empate. Messi, com uma assistência e um gol, foi novamente o grande personagem argentino, como tem sido há tantos anos.
E, como se o empate já não fosse suficiente, os hermanos quiseram mais. Aos 92 minutos, Enzo Fernández marcou o gol da virada e fez o Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, balançar como poucas vezes se viu.
O que eu vi não foi apenas uma virada em fase eliminatória de Copa do Mundo. Foi mais uma atuação histórica daquele que é um dos maiores jogadores de todos os tempos. Um atleta que, aos 39 anos, ainda corre, compete e se entrega como se tivesse 20. Mais do que isso: mostra amor pelo seu país, pela sua camisa e pela sua seleção.
Messi tem ao lado dez companheiros que correm, brigam e jogam também por ele. Existe ali uma entrega coletiva que impressiona. A Argentina pode até ter seus defeitos, pode até sofrer, mas dificilmente deixa de competir.
Confesso: por alguns minutos, fiquei com inveja dos argentinos.
O peso das mesmas cores
Feito o registro da minha admiração por Lionel Messi, também preciso registrar minha incredulidade com algumas decisões que vêm marcando esta Copa do Mundo.
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O caso Balogun é um exemplo claro. Expulso contra a Bósnia após uma entrada duríssima, o jogador norte-americano poderia sofrer uma punição pesada pelos critérios da FIFA. Porém, depois de articulações de bastidores e até informações sobre ligação do presidente Donald Trump ao presidente da FIFA, a punição foi adiada, revista ou simplesmente deixada para depois. Resultado: Balogun esteve em campo normalmente contra a Bélgica, como se nada tivesse acontecido.
O problema é que essa sensação de mudança de critério também aparece em jogos da Argentina. Messi é gigantesco, talvez o maior produto comercial desta Copa. Uma eliminação precoce da Argentina certamente não interessaria à FIFA, às marcas e ao espetáculo. Mas quando decisões importantes começam a pesar sempre para o mesmo lado, a coincidência fica difícil de engolir.
Messi, inclusive, já poderia ter sido expulso na estreia, em uma entrada forte contra um jogador da Arábia Saudita. Lances parecidos resultaram em cartão vermelho para outros atletas. Com ele, o critério foi diferente. E uma expulsão naquele momento poderia ter mudado toda a história da Argentina na competição.
Contra o Egito, a sensação foi ainda pior. Um gol egípcio foi anulado por falta no início da jogada. Depois, um pênalti foi marcado para a Argentina em lance no qual o defensor parece tocar primeiro na bola. Messi perdeu. Mais tarde, Salah sofreu contato dentro da área, mas o árbitro mandou seguir e sequer foi ao monitor.
O ponto não é discutir apenas um lance. O ponto é a falta de coerência. Quando o rigor aparece contra o Egito, mas desaparece contra a Argentina, o critério deixa de parecer técnico e passa a parecer conveniente.
Não sei se existe favorecimento deliberado. Mas a sensação é clara: nesta Copa, quando a decisão aperta, a arbitragem e a FIFA parecem pesar sempre a favor das mesmas cores.










