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Operação Mirage desmonta esquema de falsos investimentos com prejuízo milionário

Polícia Civil do RS cumpre 125 ordens judiciais contra organização criminosa com atuação nacional; vítima gaúcha perdeu mais de R$ 4 milhões

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (13) a Operação Mirage contra uma organização criminosa especializada em golpes de falsos investimentos. Ao menos uma vítima gaúcha perdeu R$ 4,3 milhões em um mês. Três pessoas foram presas, e outras 125 medidas judiciais foram cumpridas nos estados de São Paulo e Goiás.

Esquema sofisticado e atuação nacional

A investigação da Delegacia de Investigações Cibernéticas Especiais (Dicesp) revelou um esquema estruturado que prometia lucros altos por meio de supostos investimentos em ações e criptomoedas. As vítimas eram atraídas por anúncios patrocinados nas redes sociais e incluídas em grupos de mensagens com golpistas que se passavam por investidores experientes.

Um dos casos que motivou a investigação envolveu uma moradora do Rio Grande do Sul que, em menos de um mês, foi induzida a transferir R$ 4.378.000,00. A organização utilizava plataformas falsas e apresentava ganhos fictícios para estimular novos depósitos, com promessas de até 6.000% de rentabilidade.

Ação policial e resultados

A operação resultou no cumprimento de:

  • 5 mandados de prisão preventiva

  • 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Goiás

  • Bloqueio de contas de 85 pessoas físicas e jurídicas

  • Sequestro de veículos de luxo

  • Bloqueio de carteiras de criptoativos em 17 exchanges

Também foram apreendidos milhares de chips de telefonia, celulares, computadores e documentação que comprova a movimentação financeira do grupo.

Núcleos da organização criminosa

A Polícia identificou ao menos quatro núcleos com funções específicas:

  • Captação de vítimas: uso de linhas telefônicas fantasmas registradas com dados vazados e controladas do exterior.

  • Ativação de linhas (o “chipeiro”): suspeito operava a partir de São Paulo e habilitava até mil chips por dia, usados para criar contas falsas em aplicativos de mensagens.

  • Gestão e lavagem de capitais: empresas de fachada movimentavam valores incompatíveis com sua estrutura. Uma delas registrou mais de R$ 2,2 milhões em um mês.

  • Conversão em criptoativos: valores obtidos eram rapidamente transformados em criptomoedas estáveis e enviados ao exterior.

Prisões e perfis investigados

Cinco investigados foram alvo de prisão preventiva:

  • Investigado 01: responsável pela habilitação de chips usados em golpes operados do Camboja.

  • Investigado 02: apontado como autor intelectual, ostentava vida de luxo nas redes sociais.

  • Investigado 03: sócio do investigado 02, também envolvido na conversão em criptoativos.

  • Investigado 04: integrante do núcleo financeiro.

  • Investigado 05: responsável pela lavagem dos valores.

Continuidade das investigações

Segundo a delegada Isadora Galian, responsável pelo caso, a operação é apenas o início de uma apuração mais ampla. A equipe trabalha na identificação de vítimas em todo o país, rastreamento de ativos, cooperação internacional e novos mandados.

 “Os criminosos se aproveitam da busca por lucros rápidos para aplicar golpes cada vez mais sofisticados. Promessas extraordinárias, especialmente em criptomoedas, devem ser tratadas com desconfiança”, alertou a delegada. 

Já o diretor da Divisão de Crimes Cibernéticos, delegado Filipe Bringhenti, destacou que o grupo atuava no modelo de “crime como serviço”, com contratação de operadores no Brasil e no exterior para executar etapas do golpe.

 “A operação demonstra que o espaço digital não é terra sem lei. A Polícia Civil do RS está comprometida em combater estruturas criminosas que atuam no ambiente virtual”, afirmou. 

Nome da operação

A ação foi batizada de Operação Mirage, em alusão à ilusão de riqueza e segurança oferecida pelas falsas promessas de investimento. Ao menos 40 vítimas já foram identificadas em outros estados, o que confirma a dimensão nacional do esquema.

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