#ColunaDaMari | Tendências para 2026

Preciso confessar que a pessoa que aqui escreve parece ter começado o ano um tanto reflexiva. Nesta semana, acordei mais curiosa do que nunca sobre quais serão as tendências que irão impactar a nossa vida neste ano, especialmente porque 99% dos posts que acompanho nas redes sociais nos últimos tempos falam em renovação ou em uma motivação quase total para dar aquela “virada de chave”, tanto no campo pessoal quanto no profissional.
Segundo especialistas entrevistados pelos principais sites do Brasil, o ano de 2026 promete ser marcado por transformações profundas nas áreas de tecnologia, comportamento, estilo de vida e consumo. Com a aceleração da inteligência artificial, a busca por um bem-estar mais simples e o avanço de soluções sustentáveis que já começaram a se desenhar em 2025, tudo indica que essas tendências ganharão ainda mais força nos próximos anos.
Ainda de acordo com pesquisas, as áreas que ditarão os principais movimentos surgem de mudanças sociais, avanços tecnológicos e novas prioridades coletivas. Do trabalho à saúde, passando pelo entretenimento e pela forma de consumir, projeta-se que diversos setores passem por uma evolução acelerada. As tendências de 2026 também serão guiadas pela tecnologia acessível, pelo consumo consciente e pela necessidade de rotinas mais leves, o que, em tese, reforçaria o equilíbrio entre vida pessoal e inovação.
Algo motivador e maravilhoso de se ler, mas, na prática, será que estamos preparados para seguir as tendências que nos esperam neste ano? Após ler diversos artigos sobre o assunto, eu, particularmente, acredito que hoje não estamos preparados para sermos — ou ao menos acompanharmos — essas tendências ao longo dos 349 dias que nos restam de 2026.
E não cheguei a essa conclusão pensando em um cenário mundial. Afirmo isso usando apenas exemplos daqui da cidade, ao observar atitudes cotidianas, corriqueiras, simples de serem mudadas, mas que muitos de nós se recusam a modificar.
Ouço muita gente falar em sustentabilidade, energia fotovoltaica, cisternas, biogás, bio… sei lá o quê, além de muitos outros termos modernos. No entanto, vejo poucos dispostos a fazer o básico: separar o lixo doméstico em seco e orgânico, evitar jogar resíduos em locais impróprios ou sequer plantar ou cuidar de uma árvore.
Quando o assunto são as mudanças sociais, então, a situação se complica ainda mais. Hoje vivemos no famoso “cada um por si e Deus por nós” — e, se tiver mais Deus pra mim, melhor ainda. As transformações sociais também passam por sabermos exatamente quais são os nossos direitos e, principalmente, os nossos deveres.
Afinal, se quisermos uma cidade melhor, com atendimento de mais qualidade nas áreas da saúde e da educação, precisamos refletir se é sempre necessário exigir ou usufruir de tudo, mesmo tendo “aquele certo” direito, ou se não seria o caso de abrir mão do que não é essencial para que haja uma evolução social que beneficie a todos, independentemente da classe. Algo que, convenhamos, hoje praticamente ninguém faz por aqui.
Quando se fala em aceleração da inteligência artificial e em tecnologias mais acessíveis, entramos em um cenário ainda mais delicado. Se, com o acesso atual a essas inovações, já somos bombardeados diariamente por fake news de todos os tipos, por vídeos vexatórios produzidos com o único objetivo de denegrir a imagem de pessoas e instituições públicas ou privadas — e que viralizam em poucos minutos —, sem contar o grande volume de imagens obtidas sem o mínimo pudor e repassadas em aplicativos de mensagens, muitas vezes sem qualquer consequência jurídica, o que esperar do que vem pela frente?
Pode parecer algo de outro mundo, mas essa é uma realidade cada vez mais presente entre nós. Em tempos em que seguir tendências virou prioridade em praticamente todas as partes do mundo, se não mudarmos nossas atitudes em 2026, grande parte de nós, encantadenses, corre o risco de ficar simplesmente “fora de moda”.






