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Verão intensifica a circulação de aranhas e riscos de acidentes

Com a chegada do verão, aumentam os encontros indesejados com aranhas e a preocupação tem fundamento. A bióloga Tanise Signori Casagrande explica que as altas temperaturas e a maior oferta de insetos criam um ambiente ideal para a reprodução e atividade desses aracnídeos. “As aranhas ficam mais ativas nessa época do ano porque há mais alimento disponível, e o clima favorece o ciclo de vida delas. Além disso, o calor extremo faz com que procurem abrigo dentro das casas, em locais úmidos e protegidos”, afirma Tanise.

No Rio Grande do Sul, as espécies que mais preocupam são a aranha-marrom e a armadeira. A primeira é pequena, discreta e costuma se esconder em ambientes escuros e secos, como atrás de móveis, dentro de roupas de cama e calçados. Já a armadeira, considerada agressiva, prefere locais úmidos e desorganizados, como pilhas de lenha, entulhos e jardins com vegetação densa. “Ela adota postura de ataque e pode saltar contra o alvo. É uma das mais perigosas do país”, destaca a bióloga.

Segundo Tanise, os acidentes mais frequentes acontecem dentro de casa, geralmente ao vestir roupas ou calçados sem verificar antes. “É essencial sacudir bem as peças, manter os ambientes limpos e organizados e vedar frestas e buracos”, orienta.

Os sintomas variam conforme a espécie. O veneno da armadeira pode causar dor intensa, sudorese, tremores e taquicardia. Já a aranha-marrom, mesmo sem comportamento agressivo, pode provocar necrose nos tecidos. “Os sinais da aranha-marrom costumam aparecer apenas algumas horas depois da picada, o que dificulta a identificação rápida”, alerta.

Apesar disso, nem todas as aranhas oferecem risco à saúde humana. Espécies como a caranguejeira, aranha-papa-mosca, aranha-de-jardim e aranha-pernuda são comuns e não são perigosas. Pelo contrário: ajudam a controlar a população de insetos.

Em caso de picada, a orientação é lavar o local com água e sabão, manter o membro elevado e procurar atendimento médico o quanto antes. Se possível, capturar e levar o animal ajuda no diagnóstico. “Evite o uso de pomadas ou receitas caseiras por conta própria”, reforça Tanise.

A bióloga também relata um episódio recente que serve de alerta: ela mesma foi picada por uma aranha nesta semana. Notou inchaço, coceira e perda de movimento no braço, e buscou atendimento especializado. Com apoio do Centro de Informação Toxicológica, foi descartada a presença de veneno grave. Ela foi medicada com antialérgico e pomada e se recupera bem.

“Prevenção é sempre o melhor caminho. As aranhas fazem parte do nosso ecossistema e têm seu papel, mas dentro de casa é importante manter tudo limpo, arejado e protegido”, conclui.

Aranha marrom, costuma estar
no interior das residências. É comum
em nossa região, e é venenosa
Armadeira é considerada uma das
aranhas mais perigosas do mundo
devido à sua agressividade e à
potência de seu veneno neurotóxico.
Também é comum por aqui
A caranguejeira (tarântula) possui
veneno, mas não é perigosa para os
humanos. O principal incômodo são os
pelos urticantes, que podem causar
irritação na pele e nas mucosas.
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