#PaginaTrês | Quanto custa ter um filho no Brasil

Ter um filho no Brasil é, antes de tudo, um exercício constante de escolhas. Escolhas que começam muito antes do nascimento e seguem por toda a vida. Planejar não significa transformar o amor em números, mas pensar em como oferecer qualidade de vida, segurança e oportunidades, sem jamais perder de vista que afeto, presença e cuidado continuam sendo o essencial — e isso não cabe em planilha alguma.
Os números, no entanto, ajudam a dimensionar a realidade. Estimativas do Insper (o Insper é uma instituição sem fins lucrativos, dedicada ao ensino e à pesquisa) indicam que o custo para criar um filho do nascimento até os 18 anos pode variar de cerca de R$ 239 mil a R$ 3,6 milhões, dependendo da renda familiar e do padrão de vida adotado.
A diferença entre essas cifras revela mais do que desigualdade econômica: expõe prioridades, expectativas e o papel que o Estado e o mercado ocupam na vida das famílias.

Saúde e educação: o maior custo da classe A
Nas classes A e B, com renda acima de R$ 13 mil, educação e saúde particulares concentram os maiores gastos, podendo representar mais de 60% do orçamento destinado aos filhos.
Alimentação e moradia na D e E
Já nas classes D e E, onde a renda é menor, o peso recai principalmente sobre alimentação, moradia e transporte. Nesse cenário, os serviços públicos tornam-se fundamentais para aliviar parte das despesas e garantir o mínimo necessário.
E os custos não começam no berço. Pré-natal e enxoval podem chegar a R$ 25 mil. Nos primeiros meses, fraldas, fórmula e consultas médicas variam entre R$ 400 e R$ 2.000 mensais. Na fase escolar, entre os 3 e 5 anos, o gasto pode se aproximar de R$ 3.500 por mês. Na adolescência, com escola, cursos, tecnologia e lazer, esse valor pode ultrapassar os R$ 5.000.
No fim das contas, falar sobre o “custo de um filho” é, na verdade, falar sobre prioridades. Sobre o que cada família considera essencial, o que pode esperar e o que se transforma em investimento para o futuro. Cada decisão — pública ou privada, básica ou extra — muda completamente o tamanho da conta.
E você, olhando para a sua realidade: esse valor parece alto, baixo… ou simplesmente parte da vida?
AMTURVALES chega a 40 municípios associados
A AMTURVALES alcançou a marca de 40 municípios associados com a adesão de São Valentim do Sul, consolidando um novo patamar de representatividade regional no turismo.
Para o presidente da entidade, Rafael Fontana, o número é resultado de um trabalho contínuo de articulação e construção coletiva. “Chegar a 40 municípios associados é fruto de diálogo permanente e fortalecimento da governança regional. A AMTURVALES amadureceu muito nos últimos anos e inicia este novo ciclo ainda mais estruturada, com projetos voltados à integração dos municípios, à promoção regional e ao fortalecimento da identidade do território como destino turístico”, afirmou.
Segundo Fontana, a adesão de São Valentim do Sul reforça a confiança dos municípios no turismo como vetor de desenvolvimento e amplia as possibilidades de ações integradas em toda a região.
Terceirização do pensamento
Existe uma armadilha confortável onde muita gente decidiu morar: a terceirização da consciência. Não se engane: o problema do Brasil — e das redes sociais — não é falta de inteligência. É economia de energia. Como bem define a análise moderna sobre influência digital: “repetir é mais barato do que analisar”. Pensar dá trabalho, exige calibração, dúvida e angústia. Já o fanatismo oferece um pacote all-inclusive: você recebe a opinião pronta, o inimigo definido e o jargão do dia.
O sistema, seja ele político ou o algoritmo das big techs, não quer você burro. O burro é caótico. O sistema quer você previsível. Mentes previsíveis consomem melhor, clicam mais rápido e, principalmente, não questionam a rota.
Enquanto você gasta sua energia vital idolatrando influenciadores de ocasião, transformando a vida alheia no seu centro emocional, a sua própria vida vira pano de fundo.
Lembre-se: a atenção não é neutra. Ela é o ativo mais caro do século XXI. Se você passa o dia defendendo honra de político ou de famoso na internet, saiba que alguém está lucrando com a sua passividade. Admirar é humano. Se anular para virar eco de outra pessoa é, no mínimo, um desperdício de biografia. Retome o comando.
Saia do meu caminho
“Saia do meu caminho /
Eu prefiro andar sozinho /
Deixem que eu decida /
A minha vida.”
Quando Belchior cantava esses versos nos palanques das Diretas Já, o Brasil pedia o direito de escolher seu destino. A praça estava cheia, a garganta estava seca e o desejo era um só: que o Estado devolvesse ao povo as rédeas do próprio destino.
Corta para 2026. A trilha sonora continua a mesma, mas o clamor mudou de endereço. Ao observar a multidão, seja ela física ou virtual, arregimentada pelo deputado Nikolas Ferreira para a “Caminhada da Liberdade”, fica claro que não é um movimento direcionado apenas a uma figura, é quase um déjà vu histórico.
Se lá atrás pedíamos “Diretas” para votar, talvez esteja na hora de “outras Diretas”: diretas para falar, diretas para pensar, diretas para criticar sem medo. O cidadão está farto de ser tutelado e pagar uma conta cada vez maior. Cansou daqueles que, a pretexto de defender a democracia, agem como reis, aparentemente corruptos e narcisistas. O povo na rua está dizendo o óbvio: os reis estão nus, não precisamos de babás e queremos andar sozinhos.
Mas, enquanto a rua sua a camisa por princípios, nos bastidores do poder a briga é por algo bem mais palpável. E aí, a poesia dá lugar ao espanto.

Sujeito de Sorte
Voltando a Belchior, lembra do:
“Presentemente, eu posso me
Considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço
Me sinto são, e salvo, e forte” (…)
Tenho sangrado demais
Tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri
Mas esse ano eu não morro”
Pois é: nós, o povo, estamos sangrando. Mas há uma casta em Brasília que parecem ser sujeitos de uma sorte blindada, ou no mínimo curiosa. Uma apuração do jornalista independente David Ágape (do portal A Investigação) trouxe à tona um enredo que faria qualquer roteirista corar. A família do ministro Alexandre de Moraes, seu pai (já falecido) e sua madrasta, travou uma batalha judicial milionária contra a Caixa. O motivo? Um prêmio não sacado da Mega da Virada de 2020. Estamos falando de R$ 249 milhões. A história é cheia de névoa. A família alegou ter o bilhete físico vencedor comprado numa lotérica. A Caixa bateu o pé: disse que o ganhador real apostou online e que o papel apresentado não valia nada. O caso rodou a Justiça Federal, teve pedido de perícia, vai e vem, e terminou… em desistência. Mesmo com pedidos para realização de perícia documentoscópica e auditoria dos sistemas internos, a Justiça não chegou a autorizar o exame técnico. O motivo: a desistência da ação principal antes da fase de instrução, encerrando o processo sem julgamento do mérito. Fica o gosto amargo. Imagine você, leitor, tentando convencer o banco de que ganhou a Mega sem o comprovante exato. Entre bilhetes de mega-sena, participação em resorts, esposas e contratos milionários, como diria o poeta: “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”. A gente sobrevive pela teimosia. Eles, pelo visto, sobrevivem pela sorte. Sob os versos do artista, ainda há esperança: “E tenho comigo pensado Deus é brasileiro e anda do meu lado”.






