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#RaquelCadore | Amanhecer

Esta semana recebi do meu filho uma foto do amanhecer, dessas mensagens que dizem muito sem precisar explicar. O mar inteiro ali e a luz dourada do sol abrindo caminho sobre as ondas. Um instante simples. A imagem chegou sem texto longo, como costuma ser, mas foi certeira.

Vi uma ironia bonita nisso: eu estava acordando enquanto ele, indo dormir. Em outros tempos, talvez fosse só desencontro, mas a maturidade tem algo de bom, transformar o que poderia ser distância em presença. A gente para de exigir que o encontro aconteça apenas do jeito ideal e aprende a reconhecer os encontros que a vida permite.

A noite para mim costuma ser território silencioso, às vezes de trabalho, às vezes de pensamento e inquietação, e quando se atravessa a madrugada, o amanhecer tem outro peso. Não é só começo de dia, é o fechamento de um ciclo, o alívio de saber que a luz chegou.

E ali, diante do mar, ele escolheu guardar aquele instante, e ao me enviar, me puxou para aquele momento, recebi presença. A maternidade muda com o tempo. Quando os filhos são pequenos, pedem colo. Quando crescem, o colo vira outras coisas: uma mensagem curta, um “cheguei”, um áudio rápido, uma foto enviada na hora certa.

E quando a gente aprende a ler esse idioma, percebe que a conexão segue viva de várias formas. Na foto, a luz desenha uma trilha no mar, como se abrisse um caminho, e eu a recebi como um pedaço de claridade no meu próprio amanhecer, pois o amanhecer não apaga a noite, apenas lembra que a escuridão não é a última palavra.

A vida nos treina para resolver, dar conta, responder rápido, produzir, superar. Mas um amanhecer não funciona assim, ele ensina, em silêncio, que a luz não precisa brigar com a noite: ela apenas chega.

E eu fico com vontade de fazer uma proposta a mim e a quem lê: que a gente pratique mais esse tipo de presença, mesmo quando distante, porque no fim, são essas pequenas mensagens que sustentam a vida quando ela pesa. Eu recebi amor em forma de paisagem.

Que a tua semana tenha pelo menos um amanhecer assim, não necessariamente no céu ou no mar, mas no teu universo interior.

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