#NolimarPerondi | Poder

Poder
Estamos vivendo em um momento diferente, difícil de entender os movimentos geopolíticos a partir das ações estratégicas dos Estados Unidos para se manter à frente da economia mundial, por exemplo, usando taxações como pressão a amigos ou inimigos para conseguir o que quer. Sem o menor pudor, o presidente Donald Trump diz querer comprar a Groenlândia e anexar o Canadá, transformando o país vizinho no 51º estado dos EUA. Nenhum discurso ou proposta, considerada inteligente, demove Trump de seus intentos e sua sanha de “xerifar” o planeta.
Agora inventou o Conselho da Paz, com a nítida finalidade de substituir a ONU. A proposta inicial deste conselho era encerrar a guerra em Gaza, depois o presidente americano informou que a atuação do conselho abrangeria outros conflitos do mundo. Conforme a carta constitutiva, países integrantes teriam mandatos limitados de três anos e, caso paguem US$ 1 bilhão, continuam. O convite é como se fosse uma imposição: países que não aceitarem devem sofrer sanções, ou seja, mais taxação.
Donald Trump será o presidente por tempo indeterminado, possivelmente ocupando o cargo além de seu mandato, e terá amplos poderes executivos, incluindo vetar decisões e destituir integrantes. Trump só será substituído em caso de renúncia voluntária ou incapacidade, conforme determinado por voto unânime do Conselho Executivo. Neste Conselho estão dois secretários do seu atual governo, Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico, e seu genro.
Dúvidas
Raras vezes escrevo sobre assuntos internacionais, até porque o Força do Vale tem uma atuação nesta microrregião e, lógico, em âmbito nacional existem especialistas capacitados para informar com mais precisão e conhecimento sobre esse assunto. Toco no tema por receio das consequências às quais todos nós estamos sujeitos a partir dos poderes que serão delegados a um cidadão que gosta de ser e parecer poderoso e que aprecia ter seu ego massageado.
Confirmação
Aqui no Brasil a situação não é menos preocupante. Se aproxima uma eleição que possivelmente fará parte da história futura. Dois lados distintos, que não se toleram — aliás, se odeiam — estarão disputando a presidência do Brasil. Levando em consideração a pequena margem que elegeu Lula contra Bolsonaro, apenas 1,8%, podemos dizer que metade estará na esquerda e outra metade dos eleitores na direita.
Cada um desses lados se alimenta com a informação gerada pelos próprios, acreditando estarem do lado da verdade. Fatos são irrelevantes neste confronto; buscam apenas a confirmação do que acreditam. Se algo sair dessa realidade em que vivem, não será suficientemente capaz de demover a convicção: serão consideradas narrativas, termo muito atual.
Compreender
Ouvindo algumas posições políticas desse momento, defendidas com unhas e dentes, fui tentar entender. Encontrei na dissonância cognitiva uma possibilidade. Trata-se de um desconforto mental que surge quando uma pessoa tem crenças, atitudes ou ideias contraditórias, ou quando seu comportamento não corresponde ao que ela pensa ou sente, gerando uma tensão interna.
Para aliviar essa angústia, as pessoas tendem a modificar o comportamento, mudar a crença ou criar justificativas para tornar a situação coerente. Como na fábula da raposa, que justificou que as uvas eram azedas para explicar por que não conseguiu alcançá-las.
Validação
No livro de Leon Festinger, de 1956, “Quando a Profecia Falha”, há um estudo interessante que retrata a dissonância cognitiva. Ele conta a história de uma pequena seita que acreditava em OVNIs, Objetos Voadores Não Identificados, com base em Chicago, nos Estados Unidos, conhecida como “Os Buscadores”.
O grupo era liderado por uma dona de casa que afirmava receber mensagens de seres extraterrestres que alertavam que o mundo seria destruído por uma grande inundação em 21 de dezembro de 1954. A seita acreditava que, antes da destruição, eles seriam recolhidos por discos voadores em uma montanha específica.
Na noite marcada, a profecia falhou. O mundo não acabou e nenhum OVNI apareceu. Em vez de abandonarem suas crenças, após o fracasso, os membros mais comprometidos se tornaram ainda mais fervorosos. Festinger observou que, para lidar com o desconforto psicológico da dissonância cognitiva — ver sua crença desmentida pelos fatos — o grupo reinterpretou a falha.
Eles passaram a acreditar que sua fé e vigília tinham convencido os ETs a poupar o mundo. O caso é o exemplo clássico que fundamentou a Teoria da Dissonância Cognitiva de Festinger, que explica como as pessoas buscam coerência entre suas crenças e comportamentos, muitas vezes distorcendo a realidade para manter suas convicções.
Comunicado
A assessoria de imprensa da Prefeitura de Encantado soltou uma nota para informar sobre o secretário da Agricultura e Obras. Na íntegra: “Cotado para assumir a pasta da Secretaria de Agricultura e Obras de Encantado, o vereador Leonardo Lorenzi se reuniu com o prefeito Jonas Calvi na manhã desta quinta-feira (22), no gabinete do prefeito. Na oportunidade, ele agradeceu a menção do seu nome para assumir a Secretaria e avaliou que o contexto atual exige articulação direta com o Executivo, motivo pelo qual sugeriu o nome do vice-prefeito Agostinho Orsolin para a condução dos trabalhos. Leonardo destacou que seguirá atuando na Câmara de Vereadores, apoiando as ações da Administração e colaborando com a cidade de Encantado”.
Analisando
O MDB de Encantado é quem indicou o vereador Leonardo Lorenzi para a Secretaria de Agricultura e Obras. Conforme a nota, Lorenzi não aceitou neste momento e afirmou que “o contexto atual exige articulação direta com o Executivo”, motivo pelo qual sugeriu o nome do vice-prefeito Agostinho Orsolin. Como o MDB indicou Leonardo e este declinou, sugere-se legitimidade por parte do vereador em indicar o Baixinho.
Desagradar
Tenho a impressão de que a indicação do vereador Leonardo Lorenzi deve ter desagradado o MDB local, que quer gerenciar a pasta. O mesmo MDB que recentemente, durante reunião partidária, reconheceu Duda do Táxi como sua principal figura na atualidade, deixando para trás Agostinho Orsolin, mesmo tendo sido prefeito e atual vice-prefeito. Vai ter de engolir seco a decisão e aplaudir, até porque Agostinho Orsolin ainda pertence aos quadros do partido. Assim, o MDB pode dizer que comanda uma secretaria importante da atual administração de Encantado.
Rachado
O MDB de Encantado há muito tempo está dividido. Uma ala não coaduna com a outra. O partido queria que o Baixinho ficasse apenas como vice-prefeito, deixando a Secretaria de Obras para acomodação de outros filiados. Acredito que a gritaria interna será grande.
Vice
O vereador Valdecir Cardoso e o ex-prefeito de Encantado, Paulo Costi, estiveram presentes na reunião do diretório do PP gaúcho que decidiu ser vice na chapa do PL para concorrer ao governo do Estado. O PL tem como pré-candidato a governador o deputado federal Luciano Zucco, e o indicado do PP para vice é o também deputado federal Covatti Filho.
Também ficou decidido na reunião, ocorrida na terça-feira desta semana, que o PP deixará o governo de Eduardo Leite. Foram 120 votantes ao todo; 53 não compareceram. Os ausentes integram um movimento de boicote que solicitava mais tempo para decidir. Entre eles estão deputados estaduais e federais, senador e até o presidente de honra do PP, Celso Bernardi.
Federação
Se a recém-enjambrada federação entre União Brasil e PP, que pretende ser a maior força política do país, já vinha encontrando dificuldades em nível nacional, aqui no Estado deve desandar de vez. No final de dezembro, Luiz Carlos Busato, presidente estadual do União Brasil, declarou apoio ao candidato ao governo gaúcho do MDB, Gabriel Souza. Nesta semana, o PP decide ser vice na chapa do PL. Isso é o que chamo de juntos para votar diferente.
Lixo
O município de Encantado anuncia o recolhimento de lixo seco no Centro e no bairro Padre Anchieta duas vezes por semana; Vila Moça, Navegantes e Planalto, três vezes. O lixo orgânico também é recolhido nos mesmos dias da semana e não existem lixeiras diferenciadas para cada finalidade. A fórmula é, no mínimo, ineficaz.
Esse mesmo lixo é levado para o município de Arroio do Meio, onde a empresa que faz a coleta organiza o transbordo e destina para Minas do Leão. Encantado é um município turístico e precisaria rever o atual sistema de tratamento do lixo urbano, adotando uma coleta seletiva mais adequada, acompanhada de campanha de conscientização, fiscalização e responsabilização.






