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Operação mira contador que usava empresas de fachada para lavar dinheiro e sonegar impostos

Ação conjunta cumpriu mandados em 11 cidades gaúchas e bloqueou mais de R$ 225 milhões em bens

A Polícia Civil, o Ministério Público do Rio Grande do Sul e a Receita Estadual deflagraram na manhã desta terça-feira (28) a Operação Acerto de Contas, com foco em um esquema de evasão fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo um contador que atuava para organizações criminosas. A investigação aponta que o profissional articulava a criação de empresas de fachada e a emissão de notas fiscais falsas para sonegar tributos e ocultar a origem de recursos ilegais.

Foram cumpridas 261 ordens judiciais, com 31 mandados de busca e apreensão, uma prisão preventiva, 11 monitoramentos eletrônicos, 14 imóveis sequestrados, 30 veículos com ordem de apreensão e bloqueio de ativos financeiros que somam mais de R$ 225 milhões. A ofensiva ocorreu em 11 municípios do Estado, incluindo Porto Alegre, Canoas, Capão da Canoa e Guaporé.

Esquema envolvia tráfico, lavagem e ocultação de patrimônio

As investigações tiveram início em 2024, a partir de relatórios da Receita Estadual e da deflagração da Operação Livro Caixa, que revelou indícios de ligação entre o contador e o tráfico de drogas. A partir daí, as instituições passaram a atuar de forma integrada, com autorização judicial para o compartilhamento de provas.

No centro do esquema está um contador que prestava serviços a mais de uma organização criminosa, oferecendo mecanismos ilegais para reduzir ou eliminar o pagamento de tributos, inclusive por iniciativa própria. Ele utilizava empresas noteiras, créditos fictícios e operações simuladas para movimentar valores de forma fraudulenta, reinserindo recursos no sistema financeiro com aparência de legalidade.

Em uma das ações, foram apreendidos 70 quilos de prata, 13 veículos (incluindo modelos de luxo), arma de fogo, notebooks, celulares e documentos. Os suspeitos mantinham padrão de vida elevado, com imóveis em nome de terceiros e veículos como Mustang e BMW.

“A investigação revelou que o principal alvo atuava como contador e operador financeiro de grupos criminosos, usando sua expertise técnica para lavar dinheiro e ocultar bens de origem ilícita”, afirmou o delegado Cassiano Cabral, diretor do Dercap.

A operação busca desarticular a estrutura criminosa, garantir o sequestro de bens e aprofundar a identificação de envolvidos e ativos ocultos, com foco na responsabilização penal e no ressarcimento aos cofres públicos.

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