Câmeras digitais dos anos 2000 voltam à moda entre jovens
Em festas e redes sociais, celulares são deixados de lado em nome do visual “cru” e espontâneo das compactas antigas

Um movimento que mistura estética, nostalgia e crítica à padronização digital tem ganhado força entre os jovens. Em festas, bares e eventos noturnos, o que se vê com frequência são câmeras digitais compactas da década de 2000, como as populares Sony Cyber-shot, substituindo os tradicionais celulares nas mãos dos participantes.
A tendência vai além da moda visual. Ela resgata um estilo marcado por fotos com flash estourado, granulação, cores fortes e enquadramentos espontâneos, remetendo à era anterior ao Instagram, quando registros noturnos eram menos filtrados — e mais autênticos.
Crítica à perfeição e apelo nostálgico
A popularização do estilo, conhecido como digital flash look, cresceu com o retorno da estética Y2K e foi impulsionada por artistas e influenciadoras internacionais. Com isso, o que antes era visto como ultrapassado passou a representar autenticidade estética em oposição à padronização de filtros, edições e selfies milimetricamente produzidas.
Além do apelo visual, muitos modelos compactos da época usavam sensores CCD, que entregam imagens com contraste mais intenso e comportamento de luz mais natural à noite — algo que, mesmo sem qualidade técnica superior, cria um resultado menos artificial e mais intencional.
De tendência estética a fenômeno cultural
Mais do que um resgate tecnológico, o movimento representa um gesto de rejeição à perfeição imposta pelas redes sociais. Jovens têm optado por um registro mais simples, direto e até com “defeitos”, como forma de expressão pessoal. A proposta é fotografar menos, editar menos — e mostrar mais do que é real.
O fenômeno, que começou de forma pontual, hoje é visto como parte de um comportamento geracional, onde estilo, tecnologia e crítica social se cruzam numa busca por autenticidade em meio à estética da performance.






