Violência doméstica é a principal demanda da Delegacia de Encantado
Casos de violência doméstica lideram o número de atendimentos na Delegacia de Polícia de Encantado e refletem um cenário comum em outras cidades da região e em todo o Rio Grande do Sul. A afirmação é da delegada Dieli Caumo Stobbe, que atua no município e acompanha de perto a realidade local. Segundo ela, esse tipo de ocorrência representa a maior parte das demandas recebidas pela polícia, superando outras naturezas criminais. A delegada destaca que não se trata de uma situação isolada de Encantado, mas sim de uma realidade que se repete em diversas delegacias do Estado.
Conforme Dieli, há uma tendência de aumento no número de casos nos meses de verão, quando o consumo de bebidas alcoólicas se intensifica. “Os meses mais quentes geralmente registram mais ocorrências, porque o alcoolismo está diretamente relacionado à violência doméstica. A maioria dos casos tem envolvimento com álcool ou outras drogas”, afirmou.
O cenário é ainda mais alarmante quando se observa o quadro estadual. Nos primeiros 29 dias do ano, o Rio Grande do Sul registrou 11 feminicídios, segundo dados da Polícia Civil. O número acende um alerta para o avanço da violência contra a mulher e reforça a necessidade de prevenção e resposta rápida por parte das autoridades e da sociedade.
Uma tentativa neste ano
Em Encantado, uma tentativa de feminicídio foi registrada em janeiro. De acordo com a delegada, um homem tentou tirar a vida da companheira provocando um acidente de carro. Ela explica que, em grande parte dos casos, o feminicídio é o resultado de uma escalada de violência que começa com comportamentos controladores. “Geralmente, começa com ciúmes excessivos, possessividade, manipulação. Depois, surgem os sinais de isolamento, agressividade, ameaças. A violência física vem em seguida”, alertou.
Ainda segundo Dieli Caumo Stobbe, há situações em que não há histórico prévio de agressões, mas esses são casos mais raros. Para ela, é importante estar atento às mudanças comportamentais do parceiro. “Se o homem passa a agir de forma diferente, mais agressiva, controladora, isso pode indicar que a relação está se tornando um caso de violência doméstica”, explicou.
Apesar da gravidade, muitas mulheres ainda têm vergonha ou medo de denunciar. A delegada ressalta que não é necessário procurar a polícia imediatamente. “A mulher pode conversar com uma amiga, buscar ajuda com a assistência social do município. Se quiser vir à delegacia, estamos aqui para orientar e explicar as medidas protetivas disponíveis. O importante é não se calar”, afirmou.
Em casos de emergência, o número 190 da Brigada Militar está disponível 24 horas para atendimento imediato. Já os casos que não requerem urgência podem ser registrados diretamente na Delegacia de Polícia. Em Encantado, o funcionamento ocorre em horário comercial. Durante fins de semana e feriados, o atendimento é feito pela Delegacia de Lajeado. A Brigada Militar também pode realizar o primeiro atendimento e encaminhar a vítima à Polícia Civil posteriormente. “Estamos sempre de portas abertas para orientar e proteger, para que um caso grave não aconteça”, finalizou a delegada.
Por: Fernanda Lima






